08:31 23-02-2026
Renault lança reestruturação para cortar custos de carros elétricos
A Renault está a lançar uma grande reestruturação industrial com o objetivo de reduzir os custos de desenvolvimento de veículos elétricos em 40% e acompanhar o ritmo acelerado dos fabricantes chineses na introdução de novos modelos no mercado. No centro desta transformação está o centro ACDC de Xangai, onde a empresa está a adotar métodos de design acelerados, burocracia mínima e ciclos de decisão curtos. Os resultados já são visíveis: o novo Twingo E-Tech foi desenvolvido em apenas 21 meses e deverá chegar ao mercado com um preço inferior a 20 mil euros.
Um componente fundamental desta estratégia é a colaboração direta com parceiros tecnológicos chineses. A Shanghai eDrive fornece o motor elétrico para o Twingo, enquanto contratantes locais otimizam parte da eletrónica e software. Esta mudança tem sido dolorosa para a França, com a fábrica de Cléon a perder a produção de motores para manter os preços competitivos. No entanto, a Renault acredita que esta abordagem é essencial para produzir um veículo elétrico europeu acessível.
Simultaneamente, a cadeia de abastecimento está a ser remodelada: inicialmente 64 componentes, e depois mais de 120, estão a transitar para estruturas de custos chinesas. Já 46% dos custos de produção do Twingo provêm de fornecedores chineses. Outra medida de poupança envolve a mudança de baterias NMC caras para baterias LFP, que são fabricadas na Europa e reduzem o custo por quilowatt-hora.
Através da joint venture Horse com a Geely, a Renault poupa mais 400 euros em modelos híbridos e de combustão interna, ao partilhar recursos de desenvolvimento e adquirir matérias-primas a preços chineses.
Em resumo, a marca francesa está a reformular o seu modelo industrial: o design mantém-se na Europa, mas a velocidade e eficiência de custos são impulsionadas por metodologias chinesas. O sucesso do Twingo demonstrará se a Renault consegue manter a competitividade na era dos veículos elétricos acessíveis.