14:58 03-05-2026
Fábrica da VW em Osnabrück pode se tornar produtora de peças de foguetes
A histórica unidade da Volkswagen em Osnabrück pode, em breve, deixar de lado os carros e se voltar para contratos na área militar. Segundo a Reuters, a montadora alemã está em fase adiantada de negociações com a israelense Rafael Advanced Defense Systems — empresa que, entre outros feitos, ficou conhecida por fornecer componentes para o famoso sistema de defesa Iron Dome.
Mas não se trata de um galpão qualquer. O local tem profundas raízes automotivas. Tudo começou como a fábrica da Karmann, que nos deu modelos icônicos como o Karmann Ghia, Beetle Cabriolet, Golf Cabriolet, Scirocco e Corrado. Mais tarde, já sob o controle da VW, a planta passou a montar também o Audi RS4 Cabriolet, XL1, Arteon Shooting Brake, além de Porsche Boxster, Cayman, Cayenne e até o Skoda Karoq.
Hoje, porém, o cenário é bem mais modesto. Na prática, a fábrica vive quase exclusivamente do Volkswagen T-Roc Cabriolet — que, diga-se, está com os dias contados: sua produção deve parar até 2027. Diante disso, a VW busca um novo destino para a instalação ou, quem sabe, um comprador.
Nos bastidores, as conversas evoluíram. Se antes se especulava que a Rafael poderia produzir em Osnabrück veículos de transporte de artilharia e componentes elétricos para o Iron Dome, agora o foco passou a ser partes de foguetes, como motores e sistemas de propulsão. Ninguém planeja fabricar material explosivo no local, mas a virada de chave é radical — da linha de montagem de automóveis para o universo da defesa.
Para a Volkswagen, o acordo viria em boa hora. Além de injetar caixa, garantiria a manutenção de cerca de 2.300 postos de trabalho. Mas há um entrave político: as autoridades alemãs fazem questão de manter controle rígido sobre projetos de defesa doméstica e exigem que a tecnologia envolvida permaneça em solo alemão.
Assim, uma fábrica que por décadas foi sinônimo de conversíveis e modelos de nicho pode, muito em breve, estar no centro de um setor bem diferente. E é justamente essa reviravolta que torna o possível negócio tão atraente — e tão observado.