15:08 02-06-2026

O cerco chinês começa a ceder e a brecha vem do Brasil

A Solvay assina carta de intenção com a Viridis Mining. Matéria-prima brasileira deve abastecer La Rochelle até 2028. Objetivo: 30% do mercado europeu em 2030.

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A Europa dá o primeiro passo sério para se libertar do cerco chinês sobre o mercado dos metais de terras raras. A Solvay assinou uma carta de intenção com a Viridis Mining and Minerals: a matéria-prima brasileira do jazigo Colossus, no estado de Minas Gerais, deverá chegar à fábrica francesa de La Rochelle até 2028.

E não se trata de metais de segunda linha. Trata-se do próprio coração de um carro elétrico — neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Sem eles, não giram motores elétricos potentes, não se movem turbinas eólicas, e metade da eletrónica moderna simplesmente deixa de existir. Quanto mais rápido o mundo se eletrifica, mais dolorosa se torna a dependência das refinarias chinesas, onde hoje é processada a esmagadora maioria das terras raras do planeta.

La Rochelle é uma das pouquíssimas instalações fora da China capazes de separar toda a gama de elementos de terras raras à escala industrial. Segundo o plano, a Solvay vai transformar a matéria-prima brasileira da Viridis em óxidos de alta pureza — aqueles que acabam por dentro dos estatores dos motores elétricos.

An Nuyttens, presidente da divisão Special Chem da Solvay, classificou o acordo como «um marco significativo no reforço e na diversificação» da cadeia de abastecimento. E os números por trás dessas palavras não são pequenos. Já em setembro de 2026 a Solvay conta lançar em La Rochelle a separação industrial de disprósio e térbio. Até 2030 — abastecer 30% do mercado europeu de terras raras de qualidade magnética, tanto leves como pesadas.

Para a indústria automobilística, esta não é uma história de geologia. É uma história sobre custos, previsibilidade e resiliência. Sem um fluxo estável de terras raras magnéticas, até o plano elétrico mais ambicioso corre o risco de se transformar, da noite para o dia, de projeto tecnológico em refém geopolítico.

Se o acordo chegar à sua fase final, a Europa ganhará algo bem mais valioso do que o próprio metal — o direito de decidir por si própria em que condições caminha rumo a um futuro elétrico.