M5 CS Hurricane RR — o lobo que deixou de se esconder
Os 635 cv de fábrica não chegavam. A G-Power somou mais 265 — e o F90 entra numa liga onde os superdesportivos começam a ficar nervosos.
O BMW M5 CS já é uma arma em versão de fábrica. 635 cavalos, dos 0 aos 100 km/h em cerca de três segundos, limitador fixado nos 305 km/h. O que há ainda para melhorar? A G-Power fez a pergunta inversa — porquê parar, se ainda se pode ir mais longe? O resultado é o Hurricane RR. 900 cv, 1.050 Nm, velocidade máxima de 333 km/h. A fronteira para o supersónico ficou mais fina.
Não se trata de um daqueles trabalhos em que o preparador carrega um software novo e arrecada o cheque. Para que o V8 4,4 litros S63B44T4 aguentasse semelhante carga, a G-Power substituiu pistões e bielas por componentes forjados, montou turbocompressores maiores com cárteres fresados em CNC, novos intercoolers, um sistema de escape próprio e uma programação exclusiva. Só aí o M5 CS sai da categoria de «berlina executiva rápida» e entra na liga em que é comparado a sério com os superdesportivos.
Os números falam por si — mais 265 cavalos do que a dotação de fábrica e uma velocidade máxima confortavelmente acima das 200 milhas/h. A G-Power não anuncia um novo tempo de aceleração, mas com a tração integral xDrive e este binário, o Hurricane RR tem de pulverizar a versão-padrão em praticamente qualquer faixa de velocidade. Não há margem para dúvidas.
A carroçaria também já não brinca à discrição. Capot de carbono com aberturas de ventilação, aileron traseiro agressivo, jantes novas e emblemas G-Power no lugar dos símbolos de fábrica. Já não é o «lobo em pele de cordeiro». É o lobo que deixou de se esconder.
O preço de um pacote como este aproxima-se do de uma boa berlina desportiva nova de um segmento abaixo — o bom senso não foi convidado para a festa. Mas o M5 CS oferece algo que a maioria dos carros não tem — carroçaria aligeirada, quatro bancos individuais, um V8 a rugir e o estatuto da versão mais radical do F90. A G-Power apenas leva esta fórmula até ao seu limite lógico.
Uma berlina destas não se compra para ir ao escritório. Tem outra missão — provar que um grande BMW de quatro portas ainda consegue assustar com números, mesmo numa altura em que toda a gente só quer falar de carros eléctricos.