A Chevrolet podia eletrificar o Silverado — fez exatamente o oposto
Enquanto a concorrência corre atrás de híbridos e eletrões, a Chevrolet redobra a aposta nos V8 atmosféricos. A apresentação do Silverado 1500 2027 deixa o recado bem claro.
Os pick-up elétricos dominam as manchetes, e a Chevrolet acabou de fazer o movimento contrário. A marca apresentou o Silverado 1500 do ano-modelo 2027 — e as estrelas da estreia não são os quilowatts-hora, mas dois V8 atmosféricos completamente novos. É uma estreia antecipada: design, gama de versões e parte do equipamento já estão sobre a mesa, enquanto preços, números exatos dos motores e consumos ficaram para mais tarde. A intenção, no entanto, lê-se sem precisar de um único número.
A gama inclui sete versões: Work Truck, Custom, Custom Trail Boss, Silverado, Silverado Trail Boss, ZR2 e High Country. O conhecido LT desaparece em silêncio — o seu lugar no meio da gama passa para um acabamento que agora se chama, simplesmente, Silverado. É um aceno às antigas GMT400 e às C/K 1500 de carroçaria quadrada, em que «Silverado» era o nome do acabamento, não do modelo. Em cada versão de tração às quatro rodas com este acabamento, o pacote Z71 passa a ser de série: suspensão off-road, proteções inferiores e assistente de descida — tudo incluído de fábrica.
O verdadeiro título vive debaixo do capô. O TurboMax 2,7 e o Duramax 3,0 a gasóleo mantêm-se no menu, mas os protagonistas do espetáculo são dois V8 atmosféricos da nova geração Small Block: 5,7 e 6,6 litros. A Chevrolet ainda não adianta cavalos nem binário, mas já promete que o 6,6 será o V8 atmosférico mais potente da categoria. Todos os motores passam agora por uma caixa automática de 10 relações — e isso é outro sinal. Enquanto os rivais falam com entusiasmo de híbridos e eletrificação, a Chevrolet redobra a aposta no clássico: binário, capacidade de reboque, V8 à frente. Há rumores de um Silverado híbrido em desenvolvimento, mas não é esse o tema desta estreia.
Já o interior foi para o lado oposto — o número de ecrãs beira o indecente. À frente do condutor há um quadrante digital de 12,2 polegadas e, ao lado, um central de 16,3 polegadas. ZR2 e High Country acrescentam ainda um ecrã dedicado ao passageiro de 11,5 polegadas. No total, segundo a Chevrolet, as versões de topo somam mais de 60 polegadas de superfícies digitais. A isto junta-se o Super Cruise sem mãos, dois carregadores sem fios e a nova consola central Multi-Flex de configuração flexível. Velha escola debaixo do capô e tecnologia ao máximo na cabina — a Chevrolet, ao que tudo indica, encontrou uma fórmula que pretende explorar por muito tempo.