Hyundai puxa a cortina — e a Elantra parece subitamente um Genesis
Sem versão elétrica, mas com um murro estilístico em cheio. A oitava geração do Avante volta a colocar a berlina compacta no centro.
A Hyundai arrancou as lonas. No BIMOS 2026 em Busan, os coreanos revelaram o Avante de oitava geração — e o que fizeram à berlina compacta vai pôr até os cépticos a pensar. Fora da Coreia, o modelo voltará a chamar-se Elantra. Depois de anos de domínio absoluto dos crossovers, é um aviso: o segmento das berlinas compactas ainda não desistiu.
Segundo os jornalistas da SPEEDME, que estiveram no salão, o novo Avante — codinome CN8 — corta todos os laços com o estilo anterior. Capô baixo, frente quase totalmente selada, uma finíssima faixa LED de uma ponta à outra, faróis refugiados nos cantos do pára-choques, cavas musculadas e traseira curta e plana. Atrás — uma faixa luminosa, o logotipo AVANTE em letras grandes e detalhes que lembram os irmãos mais velhos Grandeur e Genesis. A Hyundai tira a sua compacta da gaveta do «carro racional» e fá-la parecer de uma categoria acima.
E vem a surpresa: não há versão eléctrica. A Hyundai decidiu deliberadamente manter o Avante a combustão. No lançamento — um motor a gasolina atmosférico Smartstream DOHC 16V e um sistema híbrido TMED-II com dois motores eléctricos. O mais pequeno, de 17 cv, arranca o motor e alimenta os sistemas de bordo; o principal, de 72 cv, ajuda na tracção e na regeneração. Estreia também o modo Stay Mode: cerca de uma hora de multimédia e climatização alimentados pela bateria com o motor desligado — quase como num eléctrico a sério.
E é a escolha certa. Uma berlina 100% eléctrica neste segmento ficaria num nicho — sufocada pelo preço, infra-estrutura de carregamento e dúvidas na revenda. Gasolina e híbrido encaixam melhor: consumos mais baixos, sem depender de tomadas, assistência dentro da lógica habitual da Hyundai. Nos EUA, prevê-se um intervalo de preços entre 26.000 e 30.000 dólares. A Elantra vai reencontrar as suas adversárias históricas — Toyota Corolla e Honda Civic — que também preparam as suas novas gerações para 2027.
As cartas mais fortes da Elantra são o design, a eficiência do híbrido e o peso da marca Hyundai. Mas as berlinas já não se vendem como dantes — os compradores migram sem parar para os crossovers, e esse é um problema estrutural do segmento, não apenas da Hyundai.
Lá dentro está a verdadeira surpresa digital. O antigo ccNC dá lugar ao Pleos Connect. O ecrã central no formato 16:9 foi pensado para conteúdos em streaming, Netflix incluído, com controlo por voz GLEO AI e a base para assistentes Level 2+ na plataforma Atria AI. Para uma compacta, é uma declaração de intenções.
O Avante entra à venda na Coreia logo a seguir à estreia, enquanto a Elantra 2027 é esperada nos EUA no primeiro semestre do próximo ano. A mensagem é clara: a Hyundai mostra que a berlina compacta não foi abandonada — apenas amadureceu.