A Camry mais raivosa morreu e o emblema TRD muda de lado
Sem sucessor para o TRD de 301 cv. O novo Camry é só híbrido, e a berlina mais afiada vai usar o logótipo GR — ou chamar-se GT-S.
Digam adeus à Camry mais bruta de sempre — não vai voltar. A Toyota enterrou em silêncio a ideia de um sucessor direto da Camry TRD, e não é por acaso. É uma nova estratégia. O emblema TRD fica agora reservado aos SUV de chassis em escada e às pick-ups, enquanto as berlinas e os crossovers seguem outro caminho — o da Gazoo Racing e da GR Sport.
E para a Camry isso dói mesmo. A antiga TRD nunca foi um kit de carroçaria cosmético para exibição. Debaixo do capô vivia um V6 de 3,5 litros com 301 cv, associado a uma automática de 8 velocidades e tração dianteira. Junte uma suspensão mais firme, uma carroçaria reforçada, travões dianteiros maiores e aquele escape que se ouvia antes de ver o carro. Em resumo, era a Camry mais acessível para quem queria mais do que a lendária fiabilidade Toyota — queria carácter. E sem o salto para o premium.
A nova Camry virou exatamente para o lado oposto. Desde o ano-modelo 2025 nos EUA é só híbrida: um sistema de 2,5 litros entrega 225 cv com tração dianteira e 232 cv com tração integral. Para uma berlina familiar a lógica é de ferro — menos consumo, tração integral mais disponível, tecnologia mais simples para o comprador de massas. Mas para os fãs da TRD a troca é tudo menos equilibrada. O V6, o som e aquele carácter bruto de fábrica simplesmente evaporaram-se.
Então, quem herda o espírito? Ao que parece não a TRD, mas uma Camry GR Sport, ou um pacote na linha do conceito Camry GT-S. Uma versão dessas poderia receber um kit de carroçaria agressivo, suspensão rebaixada, outros travões e jantes, uma afinação de chassis mais afiada — mas sem o regresso de um grande motor atmosférico. A Toyota já deixou a pista com o GT-S: mais raiva visual e agilidade, menos velha escola.
A lógica de mercado lê-se sem esforço. A Camry luta contra o Honda Accord, o Hyundai Sonata e o Kia K5, e aí a eficiência híbrida pesa hoje mais do que o ronco de um V6. Ainda assim, a saída da TRD deixa marca. A Toyota já não tem uma berlina acessível que parecia quase um projeto de tuning de fábrica. Uma era acabou de fechar. Em silêncio, sem salva de despedida.