A Renault manteve o Kwid simples de propósito e talvez seja a jogada mais ousada
Sem motor novo, sem fogos de artifício — apenas um preço mais afiado. O Kwid 2026 arranca nos 4,53 lakh, as versões de topo custam menos e há kit de GNC. Às vezes, a melhor atualização é aquela que quase não se nota.
A Renault não virou o Kwid do avesso: nem motor novo, nem ruidosa revolução técnica. A marca francesa jogou mais fino e acertou onde mais dói no segmento económico. No preço. O Kwid 2026 renovado arranca agora nos 4,53 lakh de rupias — cerca de $4860 —, enquanto as versões superiores até ficaram mais baratas. Num mercado onde o comprador não conta a lista de equipamento, mas cada litro no depósito, isso pesa mais do que uma dúzia de emblemas novos.
Segundo a Autocar India, a gama foi reduzida a duas versões — Evolution e Climber. O Evolution de base com a caixa manual de 5 velocidades custa 4,53 lakh, e 4,90 lakh com a caixa robotizada AMT. O Climber pede 5,15 lakh em manual e 5,61 lakh em AMT. E as versões manuais escondem um trunfo: um kit de GNC montado no concessionário por 70.450 rupias — cerca de $755 —, com garantia de três anos ou 100.000 km.
Debaixo do capô, está tudo igual. O três-cilindros a gasolina de 1,0 litro mantém 69 cv e 92,5 Nm, à escolha com manual de 5 velocidades ou automático AMT. As dimensões também estão congeladas: 3731 mm de comprimento, 2422 mm de distância entre eixos, 184 mm de altura ao solo e uma mala de 279 litros. Por fora, é preciso procurar as mudanças: novos logótipos Renault em 3D, tampões bicolores redesenhados para as jantes de aço de 14 polegadas e um novo letreiro Kwid na tampa da mala — nova tipografia, acabamento prateado.
Por dentro, a primeira coisa que prende o olhar é o novo volante — de três raios e com comandos multimédia, retirado diretamente do Renault Kiger. O resto é familiar até ao pormenor: ecrã de 8 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay com fios, quadro semidigital, ar condicionado manual e vidros elétricos em todas as portas. Na segurança, porém, há um senão: o Evolution contenta-se com dois airbags, ao passo que o Climber recebe seis. A lista inclui ainda câmara de marcha-atrás com sensores, controlo da pressão dos pneus, ABS com EBD, avisos de cinto e assistente de arranque em subida para as versões AMT.
Os principais rivais — os Maruti S-Presso e Alto K10 — arrancam bastante mais abaixo, nos 3,50 e 3,70 lakh. Por isso o Kwid não vence pelo preço mais baixo. Os seus argumentos são uma posição de condução quase de crossover, uma boa altura ao solo, um equipamento mais rico e a opção de AMT ou gás. Para a Índia é um conjunto notavelmente prático: um automóvel urbano acessível, um apetite modesto, um motor simples e uma assistência que se percebe mesmo.
A Renault não tentou tornar o Kwid radicalmente moderno. Fez outra coisa: deixou um carro simples exatamente onde o mercado ainda sabe dar-lhe valor. Às vezes, é a jogada mais ousada de todas.