Dmitry Yakin

A Audi enterrou o A4 com as próprias mãos — agora volta, e é elétrico

A berlina lendária que enfrentava o Série 3 e o Classe C regressa em 2028 como A4 e-tron elétrico, sobre a nova plataforma SSP — com um design mais limpo e um interior que a Audi admite enfim ter falhado.

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A Audi ressuscita o A4 — e fá-lo como já ninguém esperava. A berlina lendária que durante anos se bateu contra o BMW Série 3 e o Mercedes-Benz Classe C voltará à vida em 2028. Mas não será a mesma. A próxima geração chegará com o nome A4 e-tron — totalmente elétrica, sobre a nova plataforma SSP do Grupo Volkswagen.

E isto é muito mais do que um regresso. A Audi enterrou o clássico A4 com as próprias mãos quando iniciou um estranho jogo de nomes: os carros a combustão iam para os números ímpares e os elétricos para os pares. No papel, soava lógico. Na prática, o esquema confundiu tanto compradores como concessionários. E o nome A4 revelou-se forte demais para ser trocado em silêncio por um A5.

Segundo o Autoblog, o diretor técnico da Audi, Rouven Mohr, confirmou que o calendário de lançamento do A4 e-tron continua de pé. O projeto apoiou-se num método de desenvolvimento acelerado — o mesmo que acaba de ser testado no superdesportivo Nuvolari. Não, a berlina não vai herdar a mecânica de um superdesportivo. Mas a marca do topo de gama far-se-á sentir noutro lugar — no design e na própria forma de conceber o carro.

É o Nuvolari o primeiro a mostrar a nova filosofia da Audi. Só que a sua tiragem é minúscula — o que poderá fazer do A4 o primeiro carro verdadeiramente de massas a envergar o novo estilo. Falamos de linhas mais limpas, de uma assinatura luminosa inédita e da tentativa de devolver à Audi aquela confiança visual que faltava dolorosamente à marca perante o BMW Neue Klasse e os Mercedes mais recentes.

Um golpe direto atinge uma velha ferida: o habitáculo. A Audi admitiu abertamente que a qualidade dos interiores caiu nos últimos anos. Os novos modelos prometem materiais mais nobres, menos daquela sensação de «tablet pelo tablet», ecrãs mais desafogados e — finalmente — mais botões físicos. Para quem compra uma berlina premium, não é um pormenor. O interior foi outrora o principal trunfo da Audi frente à BMW e à Mercedes.

E a plataforma SSP poderá ser outro trunfo na manga. Está a ser preparada para diferentes tipos de motorização e, para os elétricos, a Audi promete um carregamento de 10 a 80% em cerca de 12 minutos. Se este número sobreviver até ao A4 e-tron de série, a berlina terá um argumento pesado contra o BMW i4, o Mercedes Classe C elétrico e a futura vaga de modelos premium chineses.

A. Krivonosov