Vlad Komarov

Alguns carros recusaram-se a desaparecer, e um deles ainda sai da linha

Um carro moderno muda de geração a cada seis anos. Estas lendas ficaram décadas em produção, e a última ainda se fabrica hoje.

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Enquanto toda a indústria corre atrás da novidade, alguns carros simplesmente recusaram-se a partir. A Autocar reuniu os sobreviventes que ultrapassaram várias vezes o ciclo de vida habitual do setor. Um modelo moderno muda de geração a cada 6–8 anos — e, ainda assim, Volkswagen Beetle, Mini, Citroen 2CV, Land Rover Defender, Toyota Land Cruiser 70 e Lada Niva aguentaram décadas, quase sem tocar na sua estrutura de base.

O símbolo dessa época é, claro, o Volkswagen Beetle. Foi produzido de 1938 a 2003: mais de 21 milhões de carros, montados em 15 países. Sessenta e cinco anos na linha — imaginem só. Ao seu lado está o roadster britânico Morgan 4/4: surgiu em 1955 e, segundo a Autocar, aguentou 65 anos e até mais. E o Volkswagen Type 2, o famoso Bus, também conhecido como Kombi, rodou pelas estradas de 1949 a 2013 e vendeu mais de 10 milhões de unidades.

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E não se trata apenas de berlinas de culto. O Toyota Land Cruiser 70 Series, lançado em 1984, ainda é disputado onde um diesel, um chassis de longarinas e a facilidade de reparação contam mais do que um ecrã novo no habitáculo. O velho Defender aguentou de 1983 a 2016. E o primeiro Mercedes-Benz Classe G viveu de 1979 a 2017 — quase quatro décadas sem mudar de plataforma.

No mercado pós-soviético destacam-se dois nomes: o Lada 2105 e o Lada Niva. O 2105 manteve-se em produção de 1980 a 2010 — 31 anos, um recorde para um único modelo da Lada. E toda a família «clássica» baseada no Fiat 124 aguentou até 2012 e tornou-se uma das mais produzidas da história: cerca de 20 milhões de carros no total. Mas a verdadeira lenda, aqui, é o Niva. A Lada projetou-o inteiramente sozinha, do zero, e fabrica-o desde 1977. Um caso raro em que a idade de um carro não se tornou um defeito, mas parte do seu caráter comercial.

O segredo de todos estes indestrutíveis é o mesmo. Um projeto simples. Manutenção barata. Reparações ao alcance de qualquer um. E mercados onde a capacidade de sobreviver conta mais do que uma silhueta na moda. O Peugeot 504 reinou durante décadas em África, o Renault 12 tornou-se a base da Dacia durante anos, o Fiat 126 transformou-se no carro do povo da Polónia, e o Hindustan Ambassador permaneceu quase meio século como um símbolo vivo da Índia.

Só que repetir uma história dessas é hoje quase impossível. Normas de emissões, crash-tests, eletrónica, requisitos de segurança — tudo isso liquida as plataformas antigas em poucos anos. E é por isso que o Lada Niva de hoje já não parece apenas arcaico. É a última testemunha viva de uma época em que um carro tinha o direito de viver exatamente o tempo que as pessoas estavam dispostas a comprá-lo e a repará-lo.

B. Naumkin