Uma turbina no para-choques parece loucura, até se ler a patente
Hyundai e Kia registaram uma patente digna de meme. Mas esconde um detalhe que muda tudo — e para o Ioniq 5 é má notícia.
À primeira vista soa a meme automóvel: enfiar uma turbina no para-choques e sacar eletricidade diretamente do ar que embate. Engraçado? Talvez. Mas a Hyundai e a Kia registaram uma patente — e nela esconde-se um detalhe que apaga o sorriso. Os coreanos não pretendem de todo construir um «movimento perpétuo» para um elétrico.
Segundo o instituto de patentes dos Estados Unidos, tudo é mais astuto do que parece. Por trás de palhetas móveis na grelha dianteira esconde-se um gerador. Quando o fluxo de ar compensa, as palhetas abrem, o ar atravessa um canal, faz girar o gerador e escapa para baixo ou para trás. Quando não compensa, as palhetas fecham de repente para não estragar a aerodinâmica. Nada de magia. Puro cálculo de engenharia.
E é aqui que fica interessante. Para um elétrico puro, a jogada quase sempre acaba empatada. A alta velocidade, tudo o que o gerador rouba ao ar volta de imediato como resistência extra — o carro gasta mais carga só para manter a mesma velocidade. Some as perdas de conversão e o mais vira menos. Portanto, esqueça o Ioniq 5 e o EV6. Esta patente não foi escrita para eles.
A baixa velocidade, as contas mudam. Aqui o consumo depende menos da aerodinâmica e mais da massa, da rolagem dos pneus e dos sistemas auxiliares. E a Hyundai acredita que, em certos modos, o gerador pode dar um bónus útil à regeneração. Em roda livre, na travagem — ou até estacionado de nariz ao vento, com o carro parado a arrancar alguma carga.
Num híbrido, a lógica é de aço puro. Um motor elétrico bate o a gasolina em eficiência, e um térmico gosta de uma faixa estreita de carga e rotação. O gerador poderia então recarregar a bateria de modo a manter o motor a gasolina mais vezes na zona boa — e deixar o carro deslizar mais tempo em elétrico. Num gasolina normal, o mesmo sistema poderia até substituir em parte o alternador e alimentar a rede de 12 volts quando preciso.
Ainda assim — não espere um modelo de série com uma «turbina» no nariz. A patente não promete nada disso. Os fabricantes apresentam estes pedidos aos molhos para proteger ideias, não para as lançar amanhã. Quanta energia daria de facto um gerador compacto — e se compensa toda a trapalhada de palhetas, canais e comandos — continua a ser uma grande incógnita.
Mas a lógica já diz muito. Com a procura de elétricos a arrefecer, os fabricantes voltam a procurar como prolongar a vida de térmicos e híbridos. Não com uma revolução — com minúsculas percentagens de poupança. E muitas vezes são estas soluções de aspeto estranho que moldam a verdadeira guerra do consumo.