Dmitry Yakin

Por enquanto ninguém obriga a Tesla a abandonar as maçanetas escamoteáveis

A China chama quase 3 milhões de Tesla por causa de maçanetas que os socorristas não encontram. A Europa não segue o mesmo caminho — ainda, e só sob condições rígidas.

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Quase 2,98 milhões de Tesla acabaram numa campanha de recall na China por causa de portas que podem travar após um acidente. A Europa, por enquanto, não pretende repetir o gesto. O regulador holandês RDW, responsável pela homologação europeia da Tesla, disse à Reuters sem rodeios: não existe nenhuma campanha de recall ativa na Europa, embora a agência continue a acompanhar o assunto de perto.

Há, porém, uma ressalva importante. A declaração do RDW não equivale a um sinal verde para qualquer maçaneta escamoteável. O regulador exige que uma porta possa ser aberta «de forma intuitiva e sem ferramentas» em caso de falha elétrica, tanto por dentro como por fora. As maçanetas retráteis ou embutidas não são, por si só, um problema para o RDW. A questão do acesso de emergência já está a ser discutida ao nível dos regulamentos da ONU e do Euro NCAP.

Há aqui uma diferença real em relação à forma como esta história costuma ser contada. Na campanha chinesa, que já abrange 4.275.743 veículos, a queixa contra a Tesla centra-se sobretudo na alavanca mecânica de emergência do habitáculo: a sua cor, demasiado parecida com a do revestimento interior, torna-a difícil de localizar rapidamente após um acidente grave.

E nenhum desses carros precisa necessariamente de ir fisicamente à oficina. O regulador chinês SAMR aponta duas correções principais: uma sinalização mais visível da alavanca de emergência e uma atualização OTA que muda o algoritmo de descida dos vidros após uma colisão. A campanha da Tesla arranca a 25 de setembro de 2026.

Há ainda outra clarificação, desta vez sobre a futura proibição chinesa. A norma GB 48001-2026 entra mesmo em vigor a 1 de janeiro de 2027, mas a transição é escalonada. Os novos tipos de veículos têm de cumprir a maior parte dos requisitos a partir dessa data, a conformidade total aplica-se a partir de 1 de janeiro de 2028, e os modelos já homologados têm prazo até 1 de janeiro de 2029. Por isso, falar de uma proibição imediata de todos os carros atuais com este tipo de maçanetas logo no primeiro dia de 2027 é demasiado simplista.

O papel do RDW junto da Tesla há muito que ultrapassa as fronteiras neerlandesas: foi a mesma agência que conduziu o processo europeu de homologação do FSD Supervised. No caso das maçanetas, a lógica é semelhante: a ausência de recall a 26 de agosto significa apenas que não há, por agora, uma campanha obrigatória. Nem mais, nem menos. O RDW nunca afirmou que o assunto está encerrado em definitivo.

O próximo ponto de viragem não virá de um novo recall chinês, mas de uma decisão dos reguladores europeus: a abordagem atual, que avalia a abertura de emergência caso a caso, vai manter-se, ou a Europa acabará por seguir a China rumo a exigências próprias e mais rígidas para o design das portas?

B. Naumkin