18:34 18-12-2025
Europa acelera fábricas de baterias com engenheiros chineses
A Europa vem montando sua própria produção de baterias para carros elétricos, mas sem engenheiros vindos da China e do restante da Ásia, o ritmo desacelera sensivelmente. A China acumula conhecimento em baterias há mais de duas décadas; já a indústria europeia, na prática, tomou forma nos últimos cinco anos. Nesse cenário, transferir expertise não é apenas conveniente — é determinante. Na prática, é isso que separa planos ambiciosos de linhas realmente produtivas.
Na Espanha, a CATL e a Stellantis planejam inaugurar uma fábrica de baterias em Figueruelas e querem trazer cerca de 2.000 engenheiros, técnicos e gestores chineses. Segundo a CATL, esses especialistas são essenciais para calibrar os equipamentos e treinar as equipes locais. É o mesmo roteiro aplicado pela empresa em seus sites na Alemanha e na Hungria — um movimento pragmático quando precisão e velocidade de rampa de produção definem se a fábrica vai ou não cumprir as metas.
Um quadro semelhante se desenha na França. Na região conhecida como Battery Valley, engenheiros asiáticos participam da entrada em operação das fábricas da Verkor e da AESC, que produzem células para Renault e Nissan. Até a ACC — a joint venture criada por Stellantis, Mercedes‑Benz e TotalEnergies — recorreu temporariamente a um parceiro chinês, reconhecendo que, sem suporte externo, não conseguiria implantar com rapidez os processos complexos necessários para abastecer os novos carros em 2026. Com esses lançamentos no horizonte, a prioridade fica cristalina: fazer as linhas rodarem do jeito certo e, depois, aprofundar a localização à medida que as competências se consolidam. É um caminho menos vistoso, mas o mais eficaz para encurtar a curva de aprendizado.