17:55 27-12-2025

A ascensão das montadoras chinesas de carros elétricos: BYD, Xiaomi, NIO, Geely e XPeng lideram a nova corrida

Essa virada não se explica só pelo preço, mas por uma mentalidade que põe a inovação em primeiro plano: as montadoras chinesas lançam modelos em tempo recorde, mantêm a oferta sob controle rígido e, cada vez mais, tratam o carro como um dispositivo digital, não apenas um meio de transporte, segundo relata pepelac.news.

BYD: escala, controle e custo

A BYD ocupa o topo da produção global de elétricos. Fabrica suas próprias baterias, motores elétricos e microchips. Esse nível de integração vertical reduz custos e limita a dependência de fornecedores externos. Modelos como o BYD Seagull competem com convicção graças a preços acessíveis e bom pacote de equipamentos.

Em 2025, a BYD iniciou produção na Hungria e no Brasil, amortecendo o efeito de tarifas de importação e aproximando-se dos mercados-chave. Em paralelo, desenvolve a submarca premium Yangwang e planeja lançar os Seal 08 e Sealion 08 no início de 2026 com design atualizado.

Xiaomi: o jogo do ecossistema

A chegada da Xiaomi ao setor automotivo virou um dos grandes momentos. O sedã elétrico SU7 superou 200 mil unidades em menos de um ano. Seu principal trunfo é a integração com o HyperOS, que reúne smartphones, casa conectada e o carro em um único sistema. Para muitos compradores, essa coesão convence tanto quanto os números de desempenho.

Em 2025, a Xiaomi apresentou o crossover YU7 com arquitetura de 900 volts e a tecnologia “Zero Gravity”. A produção já supera 40 mil veículos por mês — patamar que muitas marcas tradicionais demoram a alcançar no começo.

NIO: repensando o carregamento

A NIO apostou na troca rápida de baterias. A rede global já soma mais de 4.000 estações, e a substituição leva menos de três minutos, atacando o gargalo do carregamento demorado. No uso cotidiano, essa economia de tempo muda a expectativa sobre o que é possuir um elétrico.

Em 2025, a empresa ampliou a linha com a submarca Onvo, voltada para famílias, e a Firefly para o mercado europeu. O crescimento nos Países Baixos e na Noruega sustentará a entrada no Reino Unido e nos países do Benelux em 2026.

Geely: a força das plataformas e das marcas

A Geely colhe os frutos de ter sob seu guarda-chuva Volvo, Polestar e Lotus. Com essa base, a marca premium Zeekr vem lançando tecnologia de ponta. O Zeekr 001 adotou plataforma de 900 volts e a bateria Golden Brick, que carrega de 10% a 80% em cerca de sete minutos.

A arquitetura SEA permite à Geely lançar elétricos rapidamente em vários segmentos e, ao mesmo tempo, reduzir custos. Essa combinação de eficiência de plataforma e profundidade de marcas é difícil de igualar.

XPeng: carros guiados por IA

A XPeng se firmou no recorte centrado em IA. A linha de 2025 segue a lógica “AI-defined”, em que o software assume o protagonismo. O Mona M03, equipado com sistemas de assistência ao motorista, virou sucesso de vendas, e o Mona SUV deve enfrentar o Tesla Model Y em 2026.

A parceria com a Volkswagen reforçou a posição da XPeng, enquanto o chip Turing e as autorizações para condução autônoma empurraram a marca para a dianteira do pelotão. A expansão para Europa, Austrália e Coreia do Sul só amplifica essa ambição.

Por que o Ocidente ficou para trás

As empresas chinesas desenvolvem novos modelos em 18 a 24 meses; marcas ocidentais podem levar até seis anos. Na China, o foco recai sobre software, experiência do usuário e IA, enquanto muitos fabricantes estabelecidos ainda privilegiam métricas tradicionais. Nem as barreiras comerciais têm freado o avanço — elas apenas deslocam a produção para mais perto dos mercados-alvo.

Até 2026, os elétricos chineses despontam como um desafio sério aos gigantes globais. Velocidade, tecnologia e flexibilidade estão empilhando as cartas a seu favor.