01:17 29-12-2025
Por que a Toyota trocou os V6 por 2.4 turbo e híbridos
A onda do downsizing também alcançou a Toyota. Motores V6 naturalmente aspirados viraram raridade na linha e, em alguns modelos, já desapareceram. À primeira vista parece uma busca por consumo menor, mas o que pesa mesmo são regras de emissões cada vez mais rígidas — além de regimes tributários que tornam motores maiores caros de homologar e manter.
Nos últimos anos, o V6 saiu de cena em vários modelos populares. Camry e Sienna migraram para conjuntos híbridos, enquanto Highlander e Tacoma trocaram os antigos seis-cilindros por quatro-cilindros 2.4 turbo — às vezes combinados a um sistema híbrido para compensar o torque. É um movimento coerente com a maré regulatória, ainda que dilua um pouco daquele tempero clássico de cilindrada e resposta imediata.
Nos Estados Unidos, o V6 praticamente sobrevive apenas em Tundra e Sequoia, onde um 3,4 litros biturbo tomou o lugar do antigo V8. Esse motor, porém, viu sua reputação arranhada: houve menções a preocupações sérias com a confiabilidade, e mais de 120.000 unidades foram convocadas para recall por um defeito de fabricação.
Sem perseguir uma gama totalmente elétrica a qualquer custo, a Toyota redobra a aposta nos híbridos. A empresa anunciou cerca de 900 milhões de dólares em investimentos para ampliar a produção desse tipo de trem de força nos EUA. A troca é clara: ganha-se em eficiência, perde-se em aceleração pura. O Camry com o antigo V6 3.5 (301 hp) deu lugar a um 2.5 híbrido de 232 hp, e a arrancada até 97 km/h ficou mais lenta. O rumo é nítido: menor cilindrada, mais eletrificação e cada vez menos espaço para os V6 clássicos. Para quem preza resposta e caráter, a mudança salta aos olhos; ainda assim, dentro do contexto atual, a estratégia soa consistente e pragmática. Os números contam só parte da história — ao volante, a entrega simplesmente adota outro perfil.