16:42 07-01-2026
Stellantis paralisa Cassino e replaneja Giulia e Stelvio com versões a gasolina, híbridas e elétricas
A Stellantis praticamente apertou o botão de pausa em um de seus principais ativos na Itália: a fábrica de Cassino, onde nascem o Alfa Romeo Giulia e o Stelvio, além do Maserati Grecale, foi paralisada por falta de pedidos. Os carros seguem à venda, mas um complexo projetado para volumes bem maiores opera muito aquém da capacidade — e isso diz menos sobre um mês ruim e mais sobre uma escolha estratégica.
O que está em jogo não é tanto a gama atual, e sim os modelos que vêm a seguir. As próximas gerações de Giulia e Stelvio foram concebidas como totalmente elétricas sobre a plataforma STLA Large, sem previsão inicial para versões híbridas ou a gasolina. Quando o mercado esfriou para os elétricos mais rápido do que se imaginava e o cenário regulatório ficou menos previsível, a Stellantis precisou fazer uma guinada custosa: retrabalhar os futuros Alfa e os Maserati correlatos para que motorizações a gasolina, híbridas e elétricas possam conviver na mesma arquitetura. Soa como um ajuste pragmático, alinhando o plano de produto ao que os clientes de fato estão escolhendo hoje.
O preço dessa guinada é o tempo. Segundo publicações do setor, os renovados Giulia e Stelvio não são esperados antes de 2027, enquanto os derivados da Maserati devem chegar ainda mais tarde. Com isso, os modelos atuais ficarão na linha por mais tempo do que o planejado, mas a própria linha desacelera porque a demanda já não sustenta o ritmo natural da fábrica.
Dentro da empresa, o movimento é tratado como um recomeço, não uma retirada: as versões elétricas permanecem, apenas deixam de ser a única opção. Nesse contexto, Cassino vira um estudo de caso de como uma virada total para o elétrico pode se voltar contra a marca quando o planejamento corre mais rápido do que a demanda real e a infraestrutura — um lembrete incômodo de que cronogramas ambiciosos precisam caminhar junto com o que o mercado consegue absorver.