A Mitsubishi ocupa o extremo oposto nas estatísticas de recalls americanas. Em 2025, a Ford bateu o recorde do setor com 153 campanhas; já a Mitsubishi acumula apenas 150 em toda a sua trajetória independente nos EUA desde 1987.

O contraste é ainda mais marcante nos anos recentes. Em 2024, a marca japonesa não lançou nenhum recall. Desde o início de 2022, foram apenas oito ações, e desde janeiro de 2020, um total de 16. As mais recentes trataram de amortecedores a gás da tampa traseira e falhas na câmera de ré. O último recall relacionado ao trem de força, em agosto de 2022, corrigiu um bug de software que poderia fazer o motor morrer.

Ao longo de quase quatro décadas, os recalls da Mitsubishi envolveram cerca de 7,56 milhões de veículos. O ano mais crítico foi 2000, com pouco mais de um milhão de unidades chamadas – número inflado por uma única campanha que cobriu 567.432 carros por defeito nas coifas das juntas esféricas inferiores.

Para efeito de comparação, no mesmo período, a Ford contabilizou 1.285 campanhas que afetaram 186,8 milhões de veículos. A General Motors registrou 1.238 campanhas e 153,5 milhões de unidades, enquanto a Stellantis (incluindo Chrysler e FCA) teve 1.046 campanhas abrangendo 131,9 milhões de veículos.

É verdade que a Ford vende aproximadamente 22 vezes mais veículos nos EUA do que a Mitsubishi. Mas o volume de vendas justifica a quantidade de veículos afetados, não a frequência dos recalls. A diferença chama a atenção: uma marca mal aparece no banco de dados da NHTSA durante anos, enquanto a outra não conseguiu passar uma única semana de 2025 sem um novo chamado.

Isso não significa que todo Mitsubishi seja automaticamente mais confiável do que qualquer Ford. Mas o cenário ilustra um ponto relevante: uma gama enxuta, volumes menores e escolhas de engenharia mais conservadoras podem resultar em algo que os proprietários valorizam – menos idas ao site da NHTSA e mais tempo para a previsão do tempo.