Vendas da Volvo caem 10%, mas elétricos disparam 14% nos primeiros meses de 2026
Volvo vê queda de 10% nas vendas totais, mas elétricos crescem 14% no início de 2026. Híbridos e combustão recuam. EX30 e EX40 lideram expansão elétrica.
A Volvo Cars divulgou os resultados de vendas referentes ao período de fevereiro a abril de 2026. O volume de entregas atingiu 162.864 veículos, o que representa uma queda de 10% face às 180.280 unidades comercializadas no mesmo intervalo de 2025.
À primeira vista, a quebra impressiona, mas os detalhes revelam um cenário mais complexo. Na realidade, os modelos 100% elétricos deram um salto de 14%, passando de 34.441 para 39.235 unidades em termos homólogos. Ou seja, o recuo não vem do lado dos elétricos, mas sim dos híbridos plug-in e dos motores a combustão. As entregas de PHEV contraíram 12%, para 38.551 veículos, enquanto os modelos a gasolina e mild-hybrid recuaram 16%, totalizando 85.078 unidades.
No total, os veículos eletrificados representaram 48% das vendas. Os elétricos a bateria ficaram com 24% e os híbridos plug-in com igual fatia de 24%. Há um ano, o volume absoluto de eletrificados era ligeiramente maior: 78.470 unidades, face às atuais 77.786. No entanto, a composição alterou-se: os BEV ganham espaço, ao passo que os PHEV recuam.
Os principais focos de dificuldade são a China e os Estados Unidos. Na China, a marca enfrenta uma concorrência feroz dos construtores locais e um mercado em baixa. Já nos Estados Unidos, as vendas são afetadas pelo pessimismo dos consumidores, pela lenta retoma da procura de elétricos e híbridos plug-in após o fim dos subsídios e por uma guerra de preços agressiva no segmento dos SUV.
Erik Severinsson, diretor comercial da Volvo, afirmou que a empresa mantém a sua estratégia de preços e regista um fluxo estável de encomendas na Europa. Destacou ainda sete meses consecutivos de crescimento nas entregas de elétricos, impulsionadas pelos EX30 e EX40. Este verão, os primeiros EX60 chegam aos clientes, e o aumento gradual da produção deverá ajudar o segundo semestre.
A grande incógnita é saber se o EX60 conseguirá ganhar volume rapidamente nos mercados onde a Volvo está a perder terreno. Para já, o cenário é claro: as motorizações híbridas e a gasolina mais antigas arrastam os resultados, ao passo que a linha elétrica — longe de ser um mero adorno de imagem — tornou-se vital para sustentar a competitividade da marca.