Nissan faz uma promessa ousada e aposta 10 milhões de libras para cumpri-la

Nissan faz uma promessa ousada e aposta 10 milhões de libras para cumpri-la
A. Krivonosov
Dmitry Yakin
Autor: Dmitry Yakin

O Project SUITE vai testar se painéis solares integrados, carregamento bidirecional V2G e eletrónica de potência mais inteligente podem mesmo cortar a fatura da luz. Carro de teste: o Nissan Leaf.

Um elétrico que se carrega sozinho ao sol e, já agora, encolhe a conta da luz? Parece conto de marketing — mas a Nissan acaba de meter mãos à obra para o tornar realidade. A marca japonesa lidera no Reino Unido o projeto de investigação SUITE, que deve responder à pergunta de milhões: será possível tornar o carregamento de um carro elétrico verdadeiramente barato graças a painéis solares integrados, ao carregamento bidirecional V2G e a uma eletrónica de potência mais inteligente? O orçamento do programa é de 10 milhões de libras, cerca de 13,3 milhões de dólares.

O Project SUITE significa Smart Use of Integrated Technology for EVs. O programa está previsto para três anos e é apoiado pelo fundo público britânico DRIVE35, com 4 mil milhões de libras — dinheiro a sério, com exigências à altura para a Nissan. O trabalho está a cargo do Nissan Technical Centre Europe, em Cranfield, em conjunto com dez parceiros industriais e universitários.

E é aqui que a história se torna interessante. O projeto não assenta numa única função, mas num conjunto de tecnologias, cada uma já futurista por si só. Um inversor de tração em nitreto de gálio com controlo por IA. Um carregador bidirecional para ligação V2G. Painéis solares em tândem integrados na carroçaria. Um sistema inteligente de gestão do carregamento. E tudo isto — num só carro.

O carro de teste é o Nissan Leaf — escolha previsível, o veterano da revolução elétrica regressa ao serviço. O sentido prático do V2G é que o carro não só consome energia da rede como também a pode devolver — por exemplo em horas de ponta ou para apoiar a casa. Combinado com o reforço solar, isso pode reduzir de forma sensível as despesas do proprietário, sobretudo com tarifários variando ao longo do dia. Mas o ganho final vai depender das regras locais, dos preços da eletricidade, do acesso ao carregamento doméstico e da vida útil da bateria. Ou seja, resposta universal ainda não existe — apenas uma hipótese que o SUITE vai testar.

David Moss, vice-presidente sénior de I&D da Nissan para a região AMIEO, foi cauteloso mas claro: «Este projeto sublinha a força da inovação britânica e marca um passo significativo rumo à próxima geração de tecnologias energéticas integradas para veículos elétricos». Segundo ele, o trabalho conjunto com parceiros industriais e académicos deve fazer avançar soluções que reduzem o custo de posse, melhoram a eficiência e dão mais valor aos clientes.

Moss apontou expressamente o V2G melhorado, os inversores de alto desempenho e o carregamento solar como peças de um ecossistema energético mais inteligente e resiliente. Traduzindo do corporativo: a Nissan está a usar o Leaf para testar antes daquilo que pode aparecer nos futuros modelos de série. E se resultar — a concorrência terá muito que recuperar.

Ao comprador, sinceramente, não interessa nem a sigla V2G nem o nitreto de gálio. Interessa-lhe algo bem mais simples: será que este carro pode depender menos do carregamento caro e funcionar, pelo menos em parte, como um buffer energético lá em casa? Se o SUITE cumprir, o elétrico deixa de ser apenas um veículo com bateria. Passa a ser parte da fatura da luz — a parte que pode torná-la mais pequena.

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