A Genesis afirma que o mercado está saturado de crossovers e passa a posicionar as peruas como uma alternativa sensata à onda do momento. Segundo o chefe de design, Luc Donckerwolke, a ascensão acelerada dos SUVs tem empurrado o setor para a uniformidade e reduzido a variedade — uma constatação que soa como um desafio discreto ao status quo.

Para ilustrar, a marca mostrou o conceito Wingback, uma proposta de como uma perua de pegada esportiva pode oferecer um formato mais equilibrado. Na visão da Genesis, esse tipo de carro consegue mesclar desempenho consistente, utilidade cotidiana e estabilidade em estrada, sem o peso e a altura excessivos que muitos crossovers carregam — um argumento oportuno em um segmento que tantas vezes privilegia a altura em detrimento do finesse.

Genesis Wingback
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A Genesis ressalta que as peruas preservam vantagens de condução graças ao centro de gravidade mais baixo, mantendo um espaço interno comparável. Outras fabricantes corroboram essa leitura, como mostram Audi RS6 Avant e BMW M5 Touring — máquinas que juntam potência séria com praticidade real para o dia a dia. A lógica é simples e convincente: mantendo a massa baixa, o carro responde com mais precisão.

A Genesis já levou às ruas uma perua de série, a G70 Shooting Brake, para mercados selecionados. Baseada na plataforma do sedã G70, ela foi oferecida com motores turbo que entregavam até 365 cv. Mesmo com alcance limitado, o modelo se encaixava no propósito da marca de manter viva a diversidade de carrocerias.

Dentro da própria Genesis, a troca das peruas pelos crossovers é vista mais como escolha do mercado do que como necessidade técnica. A empresa pretende usar design e aproveitamento de espaço como diferenciais competitivos daqui para frente — uma direção que, se for adiante, pode recolocar um pouco de variedade bem-vinda nas vitrines.