Um veículo elétrico acabado de estrear. Com garantia de fábrica. E uma das formas mais baratas de passar para o elétrico — parece bom demais para ser verdade. E depois surge o senão: isto nem sequer é um carro. A Fiat abriu no Reino Unido as encomendas do Topolino elétrico e, tecnicamente, não é um carro, mas um quadriciclo. O preço arranca nas £8995 — cerca de $12.000 ao câmbio atual.
Sob a carroçaria modesta há um motor elétrico de 6 kW e uma bateria de 5,5 kWh. Velocidade máxima: 45 km/h, autonomia WLTP: até 75 km. À escala de um automóvel, é nada. Mas a Fiat também não finge o contrário: o Topolino não tenta substituir um carro a sério. O seu terreno são os bairros urbanos, os trajetos curtos, as pequenas entregas, os escapes à casa de campo, as zonas turísticas e os percursos diários que nunca tocam numa via rápida.
Os comandos não podiam ser mais simples: uma transmissão de uma só relação e um seletor de três posições — Drive, Neutral, Reverse. Lá dentro, dois bancos desalinhados e até 63 litros de arrumação. Há até um detalhe da casa — a Dolce Vita Box, uma caixa em tecido no tablier para as pequenas coisas. E é aqui que está todo o sentido: o Topolino não vende o pragmatismo de um Sandero, vende uma imagem. O design retro é uma vénia direta ao lendário Fiat 500 Topolino de 1936–1955.
O seu verdadeiro rival não é o Dacia Spring, mas o Citroen Ami e outros ligeiros EV urbanos. Estes pequenos têm uma grande vantagem — um preço de entrada irrisório e custos mínimos. O reverso são os limites rígidos de velocidade, autonomia e versatilidade. Para uma família, é um segundo ou terceiro veículo. Nunca será o único carro — e não pretende sê-lo.
Para muitos compradores, uma máquina destas será sempre difícil de justificar. Mas para recintos fechados, parques, partilha de carro em cidades turísticas e frotas de empresa, o formato ganha de repente sentido. O pequeno Fiat prova uma coisa simples: na Europa, o EV acessível é cada vez menos um carro e cada vez mais algo entre o automóvel e o transporte urbano pessoal.