A Stellantis volta a baralhar o baralho europeu — e desta vez o gesto sai alto. Jean-Philippe Imparato, um dos executivos mais reconhecíveis do grupo, sai depois de 36 anos. Toda uma era fecha numa só linha de comunicado.
Imparato entrou na estrutura da PSA ainda no início dos anos 90 e, na era Stellantis, tornou-se uma das figuras-chave. Comandou a Peugeot, pilotou o relançamento da Alfa Romeo, depois pegou na Maserati e na Stellantis & You. Para onde vai agora — por agora, silêncio.
A partir de 1 de julho, o grupo estreia uma nova arquitetura europeia. Santo Ficili foi nomeado CEO da Maserati e mantém em simultâneo a liderança da Alfa Romeo. A dupla não é obra do acaso: ambas as marcas estão numa encruzilhada e, nas próximas semanas, a Stellantis deverá revelar um novo plano industrial para a Maserati e para a Alfa Romeo. Colocar as duas marcas sob um mesmo chefe — é a aposta num controlo apertado de custos e em sinergias reais. Só que a tarefa é tudo menos simples.
A Alfa Romeo tem de continuar a ser uma marca desportiva e emocional com potencial de volume. A Maserati — um degrau acima, no premium, onde qualquer poupança não pode parecer barateamento. Andar em cima desse arame vai ser trabalho diário.
A Stellantis & You passa para Luca Napolitano, nomeado diretor de vendas e serviços. Antes liderava a Lancia, que depois entregou a Roberta Zerbi — mais um capítulo do recente vaivém de cadeiras.
Napolitano e Ficili vão reportar diretamente a Emanuele Cappellano, COO da Enlarged Europe e das marcas europeias, e também responsável pela Stellantis Pro One.
Cappellano agradeceu a Imparato os anos no grupo: «Gostaria de expressar o meu sincero agradecimento a Jean-Philippe pela sua contribuição inigualável à nossa empresa, na qual passou toda a sua vida profissional. Jean-Philippe foi um verdadeiro exemplo de como aliar paixão e negócio, inspirando as pessoas com o seu empenho diário e o profundo conhecimento da indústria automóvel».
Mas para a Stellantis isto é bem mais do que uma simples troca de nomes no organograma. A Maserati e a Alfa Romeo aproximam-se do momento em que terão de explicar ao mercado o que querem ser nos próximos anos. Caras e elétricas? Desportivas e de nicho? Ou mais pragmáticas do que antes? A saída de Imparato só torna a pergunta mais urgente.