A Fiat admite finalmente como se vai chamar o seu novo EV urbano. Esqueçam o nome de trabalho Quattrolino — o modelo sairá como Multiplina. E a referência não podia ser mais clara: o Fiat 600 Multipla dos anos cinquenta, uma máquina estranha, útil e muito italiana. Carroçaria pequena, ideia grande. Às vezes a Fiat ainda consegue isso melhor do que quem tenta espremer «premium» de cada pedaço de plástico.
O Multiplina não vai seguir o caminho do quadriciclo ligeiro L6e como o Topolino. Sobe para L7e, a categoria pesada. E a diferença importa. O Topolino está fechado em 45 km/h e feito para dois. O Multiplina chegará a 90 km/h e levará quatro pessoas. Já não é uma cápsula elétrica para o passeio à beira-mar e um café rápido. É o degrau que faltava entre o microcarro e um verdadeiro carro do segmento A.
Lançamento — 2028. Em preço, o Multiplina deverá encaixar-se entre o Topolino de 9990 euros e o próximo utilitário elétrico da Fiat perto dos 15 000 euros. O alvo realista fica em torno dos 13 000 euros, onde o principal rival já tem nome: o Dacia Hipster.
No evento de Roma, a Fiat mostrou o Multiplina como conceito e, ao mesmo tempo, agitou a gama Topolino. Chegam agora uma carroçaria aberta Dolcevita, uma versão Sport e a New Vilebrequin Collector’s Edition. O Sport inspira-se no Nuova 500 Sport de 1958: quatro novas cores, riscas decorativas, bancos pretos e detalhes com vinil efeito carbono. O carbono, claro, é figurado. Numa máquina limitada a 45 km/h, toda a ideia de «desporto» não assenta em números, mas no sorriso do dono.
Há ainda um detalhe assinatura — as colunas Bluetooth Monsterlino da Monster, presas ao carro por ímanes e oferecidas com cada Sport. Parece um brinquedo. Mas para o Topolino esse detalhe pesa provavelmente mais do que o décimo de segundo que ninguém mede. A Fiat não vende potência. A Fiat vende um cenário: a praia, o centro histórico, a zona turística, um trajeto curto sem conversa séria sobre autonomia e carga.
Ao lado, a Fiat mostrou o TRIS Dolcevita Concept — um elétrico de passageiros de três rodas em plena chave de balneário. Se irá para produção, continua em aberto. Mas a intenção é clara: uma caixa de ferramentas modular de micromobilidade, vendida a empresas, zonas turísticas, frotas de entregas e clientes particulares. Não um carro. Um pequeno ecossistema.
O chefe da Fiat, Olivier François, formulou-o assim: «A Fiat vinha moldando a micromobilidade muito antes de a palavra existir. A nossa missão foi sempre a mesma: tornar a mobilidade mais simples, mais inteligente e mais acessível. Hoje, com o Topolino, o TRIS e a nossa visão para o futuro — o Multiplina — construímos sobre o nosso legado e criamos um ecossistema completo para as cidades de amanhã: alegre, engenhoso, sustentável e inconfundivelmente Fiat».
Para a Europa, a lógica é óbvia. As grandes cidades apertam com estacionamento, restrições e preços, enquanto os EV normais nunca chegaram a ser realmente baratos. Como sinal de mercado, o Multiplina intriga. A Fiat não tenta fazer mais um crossover. A Fiat volta a mexer nos carros pequenos — o terreno onde a marca historicamente teve mãos, cabeça e um pouco de loucura.
O Multiplina pode acabar por ser o Fiat mais honesto dos últimos anos: pequeno, estranho, urbano — e sem tentar parecer maior do que é.