Os pneus errados podem roubar 50 km de autonomia ao teu elétrico

Os pneus errados podem roubar 50 km de autonomia ao teu elétrico
A. Krivonosov
Dmitry Yakin
Autor: Dmitry Yakin

Pneus especiais ou uns quaisquer? Mais caros ou mais baratos? Três mitos teimosos decidem até onde o teu elétrico chega mesmo — e a Euro 7 está prestes a subir a parada.

Em torno dos pneus para carros elétricos cresceu toda uma mitologia. Quase todo o dono de um elétrico já ouviu que estes carros precisam de pneus «especiais». Mas para quê — e se são realmente necessários — quase ninguém sabe ao certo.

Os números confirmam-no. Um inquérito da UScale a mais de 1500 proprietários revelou que três em cada quatro tinham ouvido falar destes pneus, mas menos de metade se sente suficientemente informado para escolher bem. Por outras palavras, a maioria compra quase às cegas.

Primeiro mito — num elétrico pode montar-se qualquer pneu. No papel não há nada a apontar: se forem respeitados o índice de carga e o de velocidade, a lei não obriga a procurar um modelo específico para EV. Mas legal não é o mesmo que ótimo. Por causa da bateria, um elétrico pesa mais 200–500 kg do que o equivalente a combustão, e toda essa massa assenta na borracha. Daí o desgaste mais rápido, o comportamento nervoso nas curvas rápidas, a aderência em asfalto molhado e, acima de tudo, a autonomia. O parâmetro-chave aqui é a resistência ao rolamento: quanto menor, menos energia o carro desperdiça.

Será assim tão grave? Segundo a Continental, reduzir a resistência ao rolamento acrescenta 3–4% de autonomia. E os testes da Auto Bild mostraram entre pneus diferentes uma diferença de mais de 2,5 kWh aos 100 km — para uma bateria de 75 kWh, isso dá até 50 km extra. Cinquenta quilómetros que se deitam simplesmente fora ao montar a borracha errada.

Segundo mito — um motor elétrico feroz, de binário monstruoso, transforma os pneus em pó num instante. Na realidade é bem mais prosaico: os sistemas de tração modernos doseiam a potência ao milissegundo e sufocam a patinagem. O que mata a borracha não é o binário elétrico, mas a massa do carro, a pressão errada, o alinhamento desregulado e um estilo de condução agressivo. Acelerações suaves, regeneração, verificação regular da pressão e uma geometria de suspensão em condições — e um jogo dura bastante mais.

Os elétricos têm ainda uma particularidade traiçoeira — o silêncio. O motor cala-se, por isso o zumbido dos pneus, que num carro a gasolina se afogava no ruído do motor, passa para primeiro plano. A resposta dos fabricantes é uma espuma absorvente dentro do pneu: amortece a ressonância e reduz o ruído percebido até 9 dB. Na autoestrada isto não é uma linha numa ficha técnica, mas uma diferença real entre “silencioso” e “a zumbir”.

Terceiro mito — os pneus para elétricos custam sempre um dinheirão. A diferença existe, mas costuma rondar os 10–30%, e paga-se com menor consumo de energia e um desgaste mais uniforme. Ainda assim não há resposta universal: um bom pneu normal pode portar-se lindamente num EV, ao passo que um barato e inadequado é uma lotaria em que perdem a carteira e a autonomia.

Também os fabricantes de pneus olham o mercado de forma diferente. A Continental usa a marcação EV Compatible e nem sempre separa os modelos em “para combustão” e “para EV”. A Michelin lançou o e.Primacy e o Pilot Sport EV, mas depois voltou a uma estratégia mais universal.

A Pirelli foi a tudo ou nada: a sua tecnologia Elect, criada especificamente para elétricos, já somou mais de 500 homologações. A Goodyear tem a gama EV-Ready, a Falken a família e.ZIEX, e a Bridgestone mais vezes talha o pneu para um modelo concreto logo na fábrica. E a partir de 2028 o tema deixa de ser uma questão de gosto — entra em jogo a Euro 7.

As novas normas introduzem pela primeira vez requisitos quanto ao desgaste dos próprios pneus. Para as novas homologações de pneus de ligeiros de passageiros (classe C1) aplicam-se a partir de 1 de julho de 2028, e a partir de 1 de julho de 2030 deixará de ser possível colocar no mercado pneus que não as cumpram. O objetivo é cortar as emissões de micropartículas resultantes da abrasão da borracha, de que antes quase não se falava.

A conclusão para o dono é simples. Um elétrico nem sempre precisa de um pneu estritamente «especial» — mas de um adequado, isso de certeza. Olhe não só para a medida e a etiqueta de preço, mas para o índice de carga, a resistência ao rolamento, a aderência em piso molhado, o ruído e a durabilidade. O dinheiro poupado no primeiro jogo evapora-se num instante se o carro começar a perder autonomia, a gastar-se mais depressa e a agarrar-se pior ao asfalto.

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