Riram-se do desenho e não sobrou um único Luce para 2026

Riram-se do desenho e não sobrou um único Luce para 2026
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Dmitry Yakin
Autor: Dmitry Yakin

Segundo o Financial Times, a quota de quase 500 Luce prevista para 2026 já estava cheia no início de julho, puxada pela China. Nenhum carro chegou ainda a um cliente.

A internet já tinha dado a sentença sobre o Ferrari Luce em maio. Os compradores não a ouviram. O primeiro elétrico da marca — e o elétrico de série mais caro do mercado — fechou todo o plano de vendas de 2026 em menos de dois meses: quase 500 carros a 550.000 euros cada, cerca de 626.000 dólares. É o que escreve o Financial Times. E nenhum deles chegou ainda ao proprietário: as primeiras entregas a clientes só começam em outubro.

O Luce, de quatro portas e cinco lugares, foi mostrado em Roma a 25 de maio de 2026 — e a reação não foi a que Maranello tinha planeado. O desenho, trabalhado pelo estúdio LoveFrom dos antigos designers da Apple Jony Ive e Marc Newson em conjunto com o centro de estilo da Ferrari, foi desfeito nas redes sociais em poucas horas: o Luce era posto ao lado de modelos várias vezes mais baratos. O antigo chefe da Ferrari, Luca di Montezemolo, propôs que lhe «tirassem ao menos o cavalo rampante». Na primeira sessão em bolsa depois da estreia as ações perderam mais de 8%, nota o Financial Times.

Depois falaram os números. Duas fontes do jornal garantem que a quota da Ferrari — pouco menos de 500 carros para 2026 — já estava cheia no início de julho, cerca de oito semanas depois da estreia. A maior parte das encomendas veio da China: ali o Luce chegou ao mercado no final de junho a partir de 3,988 milhões de yuans, cerca de 589.000 dólares, e os 88 carros reservados ao país esgotaram quase de imediato. O gabinete de imprensa da Ferrari recusou comentários e prometeu falar da reação dos clientes na publicação dos resultados semestrais, a 30 de julho.

Ferrari Luce
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O chefe da Ferrari, Benedetto Vigna, dizia já em maio que o Luce «recolhe encomendas rapidamente» entre clientes atuais e novos. A carteira de encomendas esticada até ao final de 2027 diz respeito, porém, a toda a gama e não a este único modelo — a empresa esclareceu isso à parte. Um porta-voz explicou a silhueta invulgar com as exigências da aerodinâmica e admitiu que o desenho precisa de ser «digerido» antes de fazer sentido. Aos concessionários, segundo o Financial Times, chegou uma instrução direta: não empurrar para o elétrico os clientes tradicionais ligados aos motores a gasolina.

Aqui a tiragem pesa mais do que o volume das críticas. A Ferrari, segundo o Financial Times, conta produzir cerca de 2500 exemplares do Luce até 2030 — aproximadamente 600 carros por ano, ou perto de 5% das vendas anuais da marca. Face a menos de 14.000 carros vendidos em todo o ano de 2025, quase 500 encomendas impressionam. Mas não dizem nada sobre uma procura de massas por Ferrari elétricos: no ano passado a própria empresa cortou para metade o seu plano de peso dos elétricos até 2030. Vigna, por seu lado, promete que a eletrificação não vai tocar na margem operacional de cerca de 30%.

A parte técnica do Luce dá à marca mais do que um modelo caro. A Ferrari anunciou oficialmente quatro motores elétricos com uma potência combinada acima de 1000 cv, uma bateria de 122 kWh, arquitetura de 880 V e carregamento até 350 kW. A autonomia passa os 530 km no ciclo WLTP, os 0-100 km/h levam 2,5 segundos, os 0-200 km/h 6,8 segundos e a velocidade máxima vai além dos 310 km/h. O detalhe que a briga sobre o desenho tapou: a potência toda só chega com o launch control. No modo Range o carro anda com 430 cv e tração traseira, no Tour com 617 cv, no Performance com 986 cv.

O verdadeiro teste é o relatório da Ferrari de 30 de julho: é aí que se saberá se o construtor confirma as quase 500 encomendas e revela como a procura se divide entre a China, os Estados Unidos e a Europa. E em agosto o primeiro exemplar de série do Luce vai a leilão solidário na Sotheby’s durante a Monterey Car Week — acima de 1,1 milhões de dólares, estima o Financial Times. Por um carro que as redes sociais comparavam a um rato de computador.

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