A Mercedes-Benz enterra dois nomes de uma só vez. O EQA passa aos livros de história e com ele desaparece todo o prefixo EQ: a terceira geração do GLA chega ao mercado elétrica, mas chama-se simplesmente GLA 200 electric. As encomendas abrem na Alemanha a 30 de julho de 2026 e os primeiros carros chegam aos concessionários em novembro. O preço de partida é de 48.599,60 euros com IVA, sem custos de entrega. Crossover elétrico mais barato a marca não tem.
O lançamento traz três versões, e elas distinguem-se por muito mais do que os números do nome. O GLA 200 electric recebe 224 cv e uma bateria de lítio-ferro-fosfato de 58 kWh. O GLA 250+ electric entrega 272 cv, enquanto o GLA 350 4MATIC electric com tração às quatro rodas assina 354 cv e acelera até aos 100 km/h em 5,4 segundos. Ambas as versões superiores partilham um acumulador NMC de 85 kWh. A velocidade máxima é idêntica no trio — 210 km/h.
E é aqui que a coisa fica interessante, porque o engano é fácil. Os 657 km recorde do ciclo WLTP não pertencem a toda a gama, mas concretamente ao GLA 250+ electric. O topo de gama com tração integral percorre até 643 km. Já o GLA 200 de acesso, com a sua modesta bateria LFP, fica entre os 394 e os 447 km. Entre o bilhete de entrada e o degrau seguinte há, portanto, mais de duzentos quilómetros.
Com o carregamento repete-se a mesma história. A arquitetura de 800 volts admite corrente contínua até 320 kW: dez minutos devolvem cerca de 270 km de autonomia e o processo padrão dos 10 aos 80% leva 22 minutos. Só que esses 320 kW voltam a caber aos carros com bateria de 85 kWh — o GLA 200 fica-se por 200 kW no máximo. E mais um detalhe que convém saber antes de assinar: para usar sem restrições os difundidos postos de 400 volts é preciso um conversor à parte, e ele figura na lista de opções. Em corrente alterna o crossover carrega a 11 kW, e a versão de 22 kW paga-se à parte.
O crescimento nas medidas não é uma fórmula de marketing. A distância entre eixos ganha 61 mm, chegando aos 2790 mm, e atrás libertam-se 38 mm para as pernas. A bagageira leva 410 litros, 1400 com o banco rebatido, mais um frunk de 107 litros sob o capô. A carroçaria desce 20 mm face ao anterior e o coeficiente aerodinâmico cai para 0,27.
Os compradores que ainda não estão prontos para o salto elétrico terão de esperar pelo início de 2027. Nessa altura a gama recebe híbridos de tração dianteira e integral, com o novo turbo de 1,5 litros, sistema de 48 volts e um motor elétrico integrado na caixa de dupla embraiagem de oito relações. A Mercedes chama-lhes «híbridos de alta tecnologia»: um carro destes arranca apenas em elétrico e pode seguir em roda livre até aos 100 km/h. No mesmo período chega também a quarta bateria — um pacote NMC de 71 kWh, exatamente a meio caminho entre os 58 e os 85. Provavelmente é justamente essa que a maioria dos clientes espera.