Este carro anda o dia inteiro e volta com mais energia do que tinha ao sair

Este carro anda o dia inteiro e volta com mais energia do que tinha ao sair
Deep Orange 17
Dmitry Yakin
Autor: Dmitry Yakin

O Deep Orange 17 da Clemson University, desenvolvido com a BMW, foi concebido para ganhar energia num trajeto curto em vez de a perder — com uma condição essencial.

Percorrer cerca de 20 km e terminar o dia com mais energia do que a gasta pelo caminho. É exatamente para este cenário que o Deep Orange 17 foi criado. O elétrico desenvolvido por estudantes da Clemson University, com o apoio da BMW, recebeu mais de 1700 células fotovoltaicas. Os cálculos feitos para várias cidades mostraram que, após um trajeto urbano curto, o sistema solar pode deixar um excedente equivalente a cerca de 50 km de autonomia adicional.

Mas não é um elétrico que se possa desligar da tomada para sempre. Os investigadores modelaram as condições de sol e clima de Greenville, Frankfurt, Madrid e Bombaim para um trajeto diário de cerca de 20 km. Os painéis funcionam tanto estacionados como em movimento — por isso, grande parte da geração diária nem sequer precisa de ocorrer durante o próprio trajeto.

Outro fator fundamental é o peso. O Luminetta pesa apenas cerca de 550 kg. Cerca de um terço da massa de um elétrico de série comum. A construção recorre a aço, alumínio, fibra de carbono e peças metálicas fabricadas por impressão 3D. A recuperação de energia, a gestão de distribuição do binário e uma tração otimizada reduzem ainda mais o consumo. É precisamente por isso que os 50 km de excedente solar anunciados não podem simplesmente ser transferidos para um elétrico de série comum de 1,5 a 2 toneladas — simplesmente não funciona assim.

Deep Orange 17
Clemson University / BMW

É revelador que a própria Clemson formule o objetivo de forma muito mais cautelosa do que qualquer título chamativo faria supor. O Deep Orange 17 é descrito como um conceito solar energy-positive que, «em caso de sucesso», deverá produzir num ciclo padrão de 24 horas mais energia do que consome. Não há ali qualquer confirmação por teste de estrada independente do excedente garantido de 50 km.

Ou seja, a verdadeira mudança não está na promessa de «andar de graça à custa do sol». Está na própria abordagem. As células solares deixaram de ser uma fonte auxiliar para passar a fazer parte do balanço energético total do carro, e todo o veículo foi concebido desde a base para consumir o mínimo possível.

O próximo teste já não será a um modelo informático — será ao próprio protótipo. Os dados publicados ainda não revelam a capacidade da bateria, a potência de pico do sistema solar nem um balanço energético diário efetivamente medido. O Deep Orange 17 deverá ser apresentado na CES 2027 — e é lá que o projeto terá de sustentar as suas afirmações com números reais de produção e consumo.

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