Ninguém esperava que a Hyundai comprovasse as promessas de IA tão depressa

Ninguém esperava que a Hyundai comprovasse as promessas de IA tão depressa
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Dmitry Yakin
Autor: Dmitry Yakin

Dezoito dias depois de apresentar a estratégia Physical AI, a Hyundai Motor Group divulgou números concretos — 90% menos tempo nas revisões de segurança e 3,9 milhões de dólares poupados por ano nas fábricas.

A 25 de julho, a Hyundai Motor Group ainda falava do Physical AI como uma estratégia que une automóveis, robôs e fábricas «inteligentes». Belas palavras sobre o futuro. Dezoito dias depois, a empresa colocou em cima da mesa números de sistemas já em funcionamento — e revelaram-se muito mais convincentes do que qualquer apresentação: o tempo gasto a procurar casos relevantes e a rever materiais de análise em segurança caiu cerca de 90%, enquanto os algoritmos de gestão da logística de produção reduziram as paragens não planeadas em cerca de 86%.

É aqui que está a verdadeira mudança: a Hyundai está a tirar a IA da fase de experiências corporativas para a colocar no trabalho diário de conceção, montagem e manutenção de automóveis. Nas fábricas, um sistema de visão computacional lê o VIN e verifica cada veículo face aos dados de produção — em tempo real, sem pausas para pensar. A tecnologia já funciona em cerca de 70 processos nas fábricas da Hyundai e da Kia na Coreia, Estados Unidos, Europa, Índia e região Ásia-Pacífico. A poupança anual declarada atinge os 5,24 mil milhões de wons, cerca de 3,9 milhões de dólares.

No serviço, o efeito mede-se em tempo, e conta-se em minutos, não em percentagens. Um sistema de apoio baseado em LLM ajuda os técnicos a procurar avarias e recomendações na documentação técnica: a Hyundai estima uma redução do tempo de resposta de cerca de 42%. O processamento de uma avaliação de cliente caiu ainda mais — de 35 para cerca de 5 minutos. Quase sete vezes mais rápido. A partir de setembro de 2026, a empresa pretende avançar para a automação total da redação de respostas às avaliações, mantendo o mecanismo atual que sinaliza os casos que exigem intervenção humana.

Em paralelo, a plataforma interna H Chat Pro continua a crescer. Através de um ambiente seguro, os funcionários acedem ao ChatGPT, ao Gemini e ao Claude, e o número de utilizadores ativos ultrapassou os 30.000 em julho — cerca de 80% do pessoal de escritório da Hyundai Motor e da Kia. A empresa destaca ainda o aumento de agentes de IA criados por funcionários sem experiência em desenvolvimento de software. Pessoas que, até ontem, nunca tinham escrito uma linha de código.

Jin Eun-sook, presidente e responsável pela divisão de Gestão ICT da Hyundai Motor Group, resumiu assim a posição da empresa: «A IA é sem dúvida uma tecnologia importante, mas, no final de contas, é uma ferramenta que as empresas precisam de usar. O que importa não é simplesmente possuir a tecnologia, mas sim a rapidez com que uma organização consegue compreender as novas tecnologias, incluindo a IA, aplicá-las ao seu trabalho e negócio, e transformá-las numa fonte interna de vantagem competitiva. Apoiando-se na transformação digital em curso, a Hyundai Motor Group está a alargar a transformação baseada em IA através da integração da IA e de outras tecnologias inteligentes».

O próximo marco verificável será a automação de setembro para o processamento de avaliações de clientes. Mas o objetivo maior já foi declarado: ligar os dados acumulados e os sistemas de IA existentes a veículos, robótica e produção, sob a bandeira do Physical AI. Ainda em julho, a Hyundai descrevia este modelo como uma transição de dispositivos inteligentes isolados para fábricas de IA completas e, mais adiante, para uma infraestrutura urbana ligada.

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