A Lincoln acaba de conseguir algo que ninguém viu chegar: os compradores já a consideram mais acessível do que a Lexus e a BMW, um dos fatores-chave no mercado de luxo. No mais recente Kelley Blue Book Brand Watch, referente ao primeiro semestre de 2026, a marca também ficou em primeiro lugar em conforto de condução e disposição do habitáculo.
A Lexus somou o mesmo número de primeiros lugares — mas em outras categorias: confiabilidade, reputação e tecnologia. E aqui está o detalhe que muda tudo: não se trata da opinião dos donos de Lincoln. O Brand Watch mede a percepção entre pessoas que usam o Kelley Blue Book e planejam comprar um carro novo nos próximos 12 meses. Ou seja, o primeiro lugar em acessibilidade reflete a imagem da marca aos olhos de compradores potenciais, não um cálculo real de preço médio.
O próprio fator preço está ficando bem mais sensível no segmento premium. Em cinco anos, a «acessibilidade» subiu do nono para o quinto lugar entre os motivos para escolher um carro de luxo, e sua importância já chega a 53%. Só confiabilidade (79%), segurança (72%), conforto (69%) e desempenho dinâmico ficam à frente. A KBB associa essa mudança ao aumento dos preços dos carros e às tarifas de importação dos EUA.
Mesmo assim, a Lincoln não ficou barata no sentido usual da palavra. A linha americana 2026 começa com o Corsair a partir de US$ 39.985, o Nautilus a partir de US$ 53.995, o Aviator a partir de US$ 56.910, e o Navigator, de tamanho completo, a partir de US$ 91.995, sem parte das taxas adicionais e opcionais. As boas notas em categorias individuais ainda não se traduziram em um interesse de compra igualmente alto.
A Lincoln registrou apenas 8% de consideration, ficando por volta do décimo lugar, empatada com a Tesla. A Lexus lidera com 22%, a BMW vem em seguida com 20%, a Cadillac com 16% e a Audi com 13%. A Audi, aliás, foi a única marca do top 10 a melhorar em relação ao período anterior.
E é exatamente esse o paradoxo da Lincoln: os compradores gostam do preço, do conforto e do interior da marca, mas isso ainda não basta para colocá-la entre as primeiras marcas consideradas antes da compra. No mercado de luxo, «parece um bom negócio» e «quero comprar» se mostraram dois rankings bem diferentes.