A GAC não levou um simples carro ao salão de Chengdu, mas sim toda uma filosofia — e a batizou de Yue 7. No estande, os jornalistas da «Tarantas News» encontraram três versões do mesmo híbrido de cinco metros: uma urbana comum, uma de turismo com barraca de teto e uma versão completa de expedição, com proteções reforçadas, pneus off-road e um recado bem claro: «vou até onde você não ousa».
A apresentação em Chengdu não é uma estreia mundial — o Yue 7 já havia surgido na primavera, no salão de Pequim, e em 7 de agosto a GAC apresentou oficialmente a versão de série e revelou o interior. Mas foi em Chengdu que a montadora mostrou pela primeira vez no que o mesmo carro se transforma nas mãos de donos diferentes. As pré-vendas na China começam no início de setembro.
Três Yue 7 — do escritório à expedição
A aposta da GAC na modularidade salta aos olhos. O Yue 7 preto quase não tem decoração off-road — é assim que o comprador comum vai vê-lo no dia a dia. O laranja ganhou uma barraca de teto retrátil e um grande toldo lateral: um acampamento pronto sobre rodas. Já o verde conta uma história bem diferente.
A versão mais radical foi preparada junto com a especialista chinesa em preparação off-road Yunliang 4x4: barra de proteção dianteira, pneus off-road robustos, iluminação extra, plataforma de expedição, módulo de carga lateral e caixas de teto. E não se trata de uma modificação improvisada de uma oficina externa — a GAC previu de fábrica 37 pontos de fixação para equipamentos extras no Yue 7, incluindo conexões elétricas, fiação no teto para iluminação e pontos de fixação internos.
Em outras palavras, a GAC projetou esse carro pensando em modificações desde o início, em vez de obrigar o dono a furar a carroceria e puxar seus próprios fios para luzes, barracas ou eletrônica extra. É justamente esse raciocínio que explica a exposição incomum em Chengdu — três carros, três formas de viver, um único veículo.
Quase do tamanho de um Land Cruiser
Com o equipamento adicional, o Yue 7 chega a 5.045 mm de comprimento, 2.030 mm de largura e 1.933 mm de altura, com entre-eixos de 2.900 mm. A cabine é para cinco pessoas; os números exatos variam um pouco conforme a versão.
Chamá-lo de off-road clássico com chassi em escada, porém, seria impreciso — a carroceria é monobloco, com estrutura própria de longarinas reforçadas. A rigidez torcional é declarada em 38.000 N·m/grau: os engenheiros queriam unir o comportamento de um crossover comum no asfalto à robustez necessária fora dele.
A altura livre do solo máxima chega a 310 mm, os ângulos de ataque e saída ficam em torno de 30 e 33 graus (versões com suspensão ajustável podem melhorar ainda mais essa geometria), e a profundidade de vadeio declarada é de 780 mm. Para um modelo vendido como «SUV de família», esses números não têm nada de modestos.
Três bloqueios e 544 «cavalos»
O coração do Yue 7 é o sistema híbrido GMC 3.0 Thunder. O motor a gasolina turbo de 1,5 litro entrega 125 kW (cerca de 170 cv) e trabalha junto com a parte elétrica da tração integral. Somado, o sistema chega a 400 kW, ou seja, 544 cv — um número nada modesto para um SUV de família.
A transmissão é, se possível, ainda mais interessante. A GAC declara bloqueios mecânicos de diferencial dianteiro e traseiro mais uma «trava de energia» eletrônica central — pela contagem da própria fabricante, isso soma três bloqueios. O sistema foi projetado para continuar avançando mesmo quando a tração fica, na prática, reduzida a uma única roda, e em velocidade de rastejo o torque disponível pode multiplicar por cinco.
Completam o conjunto a suspensão pneumática, os amortecedores adaptativos e nada menos que 9+X modos de condução para superfícies diferentes — bem além do trio «areia, neve, lama» comum nos crossovers urbanos.
Até 188 km sem gastar uma gota de gasolina
As baterias vêm em três capacidades — 28,3, 38,883 e 45,975 kWh —, que garantem autonomia elétrica de aproximadamente 116, 180 e 188 km, respectivamente; a de maior capacidade é fornecida pela CATL. A autonomia combinada da versão de maior alcance ultrapassa 1.200 km.
Para um SUV grande de cinco lugares, a conta fecha: na cidade, o Yue 7 pode rodar semanas como elétrico sem sequer acordar o motor a combustão, enquanto em viagens longas o motorista não precisa mais procurar carregador.
No interior, botões de verdade sobreviveram
Os jornalistas da «Tarantas News» fotografaram separadamente o interior do Yue 7, e ele surpreende tanto quanto a exposição externa. Atrás do volante fica um painel de instrumentos incomum, dividido em várias seções; ao longo do painel corre uma faixa de tela panorâmica de 1,1 metro, e a tela central tem 15,6 polegadas e resolução 2.5K.
Mas a GAC não seguiu a moda do minimalismo totalmente touchscreen. Sob as saídas de ar centrais sobrevive uma fileira inteira de botões metálicos, e o console central traz um grande seletor giratório de modos de condução, botões extras e uma base de carregamento sem fio. Nas fotos, esse interior parece bem mais «mecânico» do que a maioria dos elétricos chineses atuais — e isso parece uma escolha deliberada, não economia.
O sistema multimídia roda em um novo Qualcomm QCM8838, fabricado em processo de 3 nm; a montadora declara mais de 300K DMIPS e uma NPU de 64 TOPS. A lista de equipamentos inclui ainda um sistema de som com 20 alto-falantes, massagem nos bancos dianteiros e uma geladeira.
O banco traseiro desliza 170 mm sobre trilhos, os encostos reclinam até 127 graus e, ao rebater os bancos, surge uma plataforma de cerca de 1,9 metro de comprimento. Ou seja, a barraca de teto mostrada em Chengdu não é nem um pouco obrigatória para dormir — já existe uma cama dentro do próprio carro.
A grande pergunta — o preço — ainda sem resposta
O Yue 7 ainda não tem tabela de preços. O site oficial só aceita, por enquanto, reservas reembolsáveis: por 199 yuans, o comprador garante um futuro pacote de vantagens de até 20.000 yuans. Isso não é sinal do carro nem seu preço.
Os preços reais serão revelados junto com o início das pré-vendas, em setembro. Na China, os principais rivais do Yue 7 são considerados o Tank 400 Hi4-T e o Denza B5 — e será o preço final que vai mostrar até onde ele consegue avançar nesse território.
O modelo ainda não foi anunciado oficialmente para outros mercados. Mas a GAC já conta com uma rede de concessionárias consolidada onde atua, o que torna uma eventual exportação tecnicamente bem mais simples do que para muitas outras marcas chinesas recentes. É cedo para estimar um preço de exportação: o preço chinês ainda não foi publicado, e os 544 cv devem tornar a economia de qualquer importação especialmente sensível a impostos e taxas locais.
A grande impressão que fica de Chengdu é que a GAC não está simplesmente vendendo mais um híbrido «quadrado». O Yue 7 foi concebido desde o início como um sistema modular: hoje um SUV de família confortável, amanhã um camper com barraca de teto, e depois de instalados os módulos de fábrica e o equipamento da Yunliang, um verdadeiro veículo de expedição. Esses 37 pontos de fixação já previstos de fábrica parecem uma característica tão importante quanto o sistema híbrido de 544 cv por baixo deles.