A data está marcada. O plano em volta dela, nem tanto. Enquanto na Kia se discute se o negócio brasileiro passará para o controle direto da matriz coreana, o presidente local e importador da marca, José Luiz Gandini, confirmou sem hesitar à Motor1 Brasil que, no dia 17 de agosto, a empresa vai apresentar mesmo assim sua primeira picape média, a Kia Tasman. Sobre início de vendas e entregas, nenhuma palavra.
E é justamente isso que a torna exceção, não regra. O programa brasileiro da Kia está encolhendo diante dos nossos olhos. Em novembro de 2025, a marca prometia nada menos que oito novidades — entre elas o K4, o PV5 e as versões renovadas do Stonic e do Sorento. O K4 deveria chegar às concessionárias ainda no primeiro semestre de 2026. Esse prazo já passou, e o carro continua sem aparecer. Segundo a Motor1, atrasos na homologação e o aumento dos custos operacionais seriam os culpados — e agora K4, PV5 e Stonic podem escorregar até 2027. Nesse cenário, a Tasman é a única que cumpre a palavra.
Para o Brasil, está sendo preparada uma Tasman de cabine dupla, com chassi em escada, tração integral, câmbio automático de oito marchas e motor turbodiesel 2,2 a diesel de 210 cv e 441 Nm. Os números começam bem: a Chevrolet S10 entrega 207 cv, e a Toyota Hilux fica 6 cv atrás da coreana. Mas assim que o assunto é torque, o triunfo vira um meio-termo. A S10 desenvolve cerca de 510 Nm, a Hilux, aproximadamente 499 Nm. A estreia convence. Revolucionária, não é.
A caçamba tem capacidade de 1.173 litros, e as versões globais podem rebocar reboques de até 3,5 toneladas. Capacidade de carga, versões de acabamento e o equipamento exato das unidades brasileiras ainda são incógnitas — tudo depende da conclusão da certificação local.
17 de agosto será só o prólogo. O verdadeiro teste começa quando a tabela de preços e as datas concretas de entrega chegarem à mesa. E os compradores brasileiros não vão comparar só potência e tela multimídia — vão pesar também rede de concessionárias, disponibilidade de peças e valor de revenda daqui a cinco anos. A Tasman já tem sua data de estreia. Uma oferta comercial de verdade? Ainda não.