Trinta anos de silêncio — e, de repente, o nome volta às estradas italianas. A Autobianchi, marca encerrada em 1995, ressurge sem aviso: um Fiat Pandina fortemente camuflado foi flagrado com os dizeres «Tributo Autobianchi» bem visíveis na porta traseira. A Fiat não confirma nada oficialmente, por isso a data de estreia, o preço e até o nome definitivo do modelo continuam sendo apenas suposições.
A julgar pela carroceria, a base parece ser a versão topo de gama Pandina Cross: rev estimentos plásticos, para-choques reforçados, rodas de 15 polegadas. Sob o capô, nada revolucionário. O esperado é o mesmo conjunto híbrido já conhecido: motor a gasolina de três cilindros e 1,0 litro com 65 cv, combinado com câmbio manual de seis marchas — idêntico ao do Pandina normal.
A Fiat não confirmou nenhuma alteração técnica, e a camuflagem esconde bem os detalhes. As fotos permitem apenas suposições — acabamento especial, emblemas históricos, teto modificado. Os rumores de uma capota de tecido dobrável, cromados e um habitáculo forrado em veludo no estilo dos antigos Autobianchi continuam sendo, por ora, apenas rumores. Mas por trás de toda essa nostalgia pode haver um motivo bem menos romântico.
A Autobianchi nasceu em 1955 como uma joint venture entre Bianchi, Fiat e Pirelli, deu origem aos lendários A112 e Y10, e fechou as portas em 1995, quando a fábrica de Desio parou a produção. Desde então, o nome pertence formalmente à Fiat. Mas em dezembro de 2023, o parlamento italiano aprovou uma lei: se uma marca histórica não for usada em produção real por cinco anos ininterruptos, o Estado pode reivindicar os direitos sobre ela. E não se trata de uma ameaça vazia.
Em 2024, veio à tona que as autoridades italianas estavam avaliando seriamente confiscar marcas inativas como Autobianchi e Innocenti da Stellantis — o Ministério da Indústria teria chegado a registrar suas próprias versões dos dois logotipos. Uma das teorias: os nomes seriam repassados a fabricantes chineses em troca da instalação de produção em solo italiano. A Stellantis, aparentemente, nem sequer foi notificada. Assim, o Tributo Autobianchi parece menos uma homenagem nostálgica e mais uma manobra jurídica: colocar um emblema histórico em um carro e reiniciar o relógio de cinco anos pouco antes de ele expirar.
Enquanto isso, o Pandina não vai a lugar nenhum: a Fiat confirmou a produção em Pomigliano d’Arco pelo menos até 2027. Assim, o Tributo Autobianchi parece cumprir duas funções ao mesmo tempo — reacender o interesse por um utilitário urbano envelhecido perto do fim do seu ciclo de vida, e manter o nome Autobianchi longe de mãos alheias. De um verdadeiro renascimento da marca, por enquanto, não há sinal.
Anteriormente, o Tarantas.news informou que o Fiat 600 perdeu a versão híbrida de entrada e ficou mais caro.