Ninguém prometeu que a lenda voltaria em silêncio. O smart #2 deixou para trás a fase de testes com carroçarias disfarçadas: em vez das antigas carroçarias do fortwo, a empresa já testa protótipos totalmente camuflados — verdadeiros, não meros substitutos. Os carros já rodam em pistas de testes e estradas públicas, três meses antes do Salão de Paris, que decorre de 12 a 18 de outubro de 2026. A conclusão é clara: o projeto entrou na fase de afinação do design de série. O motor, o peso e a bateria final continuam em segredo.
A fase anterior era bem mais modesta: os engenheiros escondiam a nova arquitetura ECA dentro de carroçarias do antigo smart fortwo. Um truque simples, mas eficaz — permitia testar o grupo motopropulsor, o chassis e a resistência estrutural sem revelar as proporções do futuro modelo. O atual programa de testes é bem mais exigente e inclui mudanças de faixa de emergência, piso molhado, impactos contra lancis, buracos profundos, túnel de vento, câmara acústica e bancadas térmicas. Quantos protótipos estão envolvidos, quantos quilómetros já percorreram e o que os testes revelaram — o fabricante não diz.
O modelo em si devolve a smart à categoria dos citadinos de dois lugares, após o fim da produção do EQ fortwo em 2024. Mas o antigo esquema de produção já não voltará — e é aqui que a história fica interessante. O design do #2 é assinado pela equipa da Mercedes-Benz, o desenvolvimento fica a cargo da divisão global da smart, e a produção, essa, acontecerá na China. Um ícone urbano europeu, montado numa fábrica chinesa — enquanto a Europa continua a ser apontada como o mercado-chave. Mesmo formato, esquema diferente: a marca opera agora no âmbito da joint venture entre Mercedes-Benz e Geely.
Os números conhecidos até agora soam promissores: bateria de 35,7 kWh, autonomia próxima dos 300 km segundo o ciclo WLTP, e carregamento rápido de 10 a 80% em menos de 20 minutos. O conceito mede 2.790 mm de comprimento, com um diâmetro de viragem de 6,95 metros — mais apertado do que muitos carros bem mais pequenos. Mas são ainda dados preliminares: a smart avisa expressamente que as características podem mudar depois da homologação.
Potência, capacidade final da bateria, peso em vazio, preço e data de início das entregas — tudo isso só será revelado em outubro, na apresentação de Paris. E é precisamente a tabela de preços que responderá à verdadeira questão: o #2 tornar-se-á um elétrico urbano de massas, ou voltará ao seu antigo segmento como uma curiosidade premium de nicho?