O chefe da técnica da Subaru disse em voz alta aquilo que os entusiastas resmungam há cerca de uma década. Aborrecido. Só que Tetsuro Fujinuki não falava dos carros, mas da forma como eram pensados: uma reunião de validação, depois outra e de novo quase os mesmos materiais.
«Decidimos acabar com a velha maneira de trabalhar. Porque é aborrecida», declarou Fujinuki.
Não foi uma frase atirada para uma entrevista. A mudança já está escrita no organigrama: desde 1 de abril de 2026, a Subaru tem uma Product & Portfolio Innovation Division e, dentro dela, um Sports Vehicle Planning Office autónomo, um gabinete dedicado a planear modelos desportivos. A existência da divisão é confirmada por um documento oficial da empresa, enquanto a ligação aos futuros desportivos é revelada pela japonesa BestCar.
Porquê agora? Segundo Fujinuki, as normas de emissões e o consumo médio da gama não deixaram durante anos espaço para versões a gasolina mais potentes. O crescimento das vendas de híbridos e elétricos afrouxou esse laço, e os projetos desportivos ganharam finalmente ar.
A nova abordagem significa mais projeto digital e menos aprovações intermédias. Fujinuki garante que o desenvolvimento já acelerou e que os engenheiros tomam decisões mais ousadas. A prova serão três desportivos com caixa manual prometidos até 2027, pensados sobretudo para o mercado japonês.
O alinhamento é este. O primeiro é um WRX de série com manual de seis relações. O segundo, uma versão mais extrema do BRZ de tração traseira. O terceiro, de longe o mais intrigante, é um hatchback desportivo de cinco portas: a evolução de série do conceito Performance-B STI do Japan Mobility Show 2025. O próprio Fujinuki descreve-o como um “carro base acessível”. Soa modesto. É assim que costumam começar as melhores histórias.
A esse cinco portas associa-se também o carro de corrida High Performance X Version II: bóxer turbo FA24 de 2,4 litros, tração integral, caixa manual de seis relações, 364 cv e 475 Nm. A Subaru não prometeu levar estes números para um modelo de estrada, mas já há muita gente a fazer as contas por ela.
Ainda assim, um gabinete inteiro pesa mais do que mais um conceito. Protótipos bonitos a Subaru mostrou muitos, e quase nenhum chegou a uma linha de montagem. Agora a responsabilidade pelos produtos desportivos está fixada dentro da estrutura da empresa. Mesmo assim, nada é oficial quanto a uma nova geração do WRX STI, à potência do futuro hatchback ou à venda do trio fora do Japão. O próximo ponto de controlo será a apresentação do primeiro carro de série deste programa. Não de outro protótipo de salão.