Ninguém esperava que um porta-bicicletas fosse mais arriscado do que um atrelado inteiro

Ninguém esperava que um porta-bicicletas fosse mais arriscado do que um atrelado inteiro
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Dmitry Yakin
Autor: Dmitry Yakin

A Xpeng identificou uma potencial falha no engate de reboque rebatível de alguns G6 e G9. Até à correção, a marca pede que os proprietários evitem porta-bicicletas e outras cargas verticais, embora rebocar continue permitido.

Uma bicicleta no porta-bicicletas pode, ao que parece, ser mais arriscada do que um atrelado inteiro atrelado atrás. Aos proprietários de alguns Xpeng G6 e G9 foi pedido que, para já, evitem porta-bicicletas e plataformas de carga no engate elétrico rebatível de série. A razão soa quase absurda, mas é real : o mecanismo pode perder o bloqueio e dobrar-se parcialmente com o carro em movimento. Vários proprietários europeus já relataram casos deste tipo.

A própria Xpeng confirma o problema com cautela. Numa mensagem aos clientes, a empresa explica que, após reclamações e a sua própria investigação técnica, identificou uma potencial falha nos engates de um número limitado de G6 e G9. Até novo aviso, pede-se aos proprietários que não usem o engate para cargas verticais — sobretudo porta-bicicletas e acessórios semelhantes. Eis o pormenor verdadeiramente surpreendente : a proibição não se estende ao reboque convencional.

Rebocar um atrelado ou caravana continua a ser possível, desde que sejam respeitados os limites de série. Nos atuais G6 e G9, o configurador oficial alemão indica uma massa rebocável até 1500 kg e uma carga vertical máxima na esfera de 75 kg. A diferença reside na forma como a carga atua. Um porta-bicicletas pressiona de forma constante e com todo o seu peso diretamente a esfera e o mecanismo de bloqueio, enquanto o peso de um atrelado assenta, em grande parte, no seu próprio eixo.

Foi precisamente com acessórios montados no engate que a AutoWeek reuniu casos em que o engate rebatível cedeu subitamente para baixo, arrastando o porta-bicicletas pela estrada. Um proprietário de um G9 relatou que o mecanismo se soltou a cerca de 110 km/h. Outro caso, com um G6, ocorreu com três bicicletas carregadas — com um peso conjunto que, segundo o proprietário, ficava claramente abaixo dos 75 kg permitidos. Estes relatos confirmam que o risco é real. O que não mostram é com que frequência ocorre, nem a lista completa dos lotes afetados.

A Xpeng já está a trabalhar numa atualização do engate e garante que, assim que a solução estiver pronta, convidará gratuitamente os clientes afetados a dirigirem-se aos concessionários. A empresa ainda não tornou público o intervalo exato de VIN, a causa raiz nem o número de veículos envolvidos. Até lá, os proprietários de G6 e G9 com engate rebatível fazem melhor em aguardar uma notificação direta da Xpeng ou do seu concessionário — e em deixar o porta-bicicletas desmontado entretanto.

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