Um automóvel elétrico sem caixa de velocidades que, mesmo assim, deixa o condutor «mudar de relação»? É exatamente esse o truque que a BMW M prepara para os futuros desportivos Neue Klasse. Haverá patilhas no volante e relações virtuais, mas com uma diferença decisiva: os alemães não querem copiar o maior defeito de uma transmissão convencional — a breve interrupção da força motriz.
O responsável máximo da BMW M, Frank van Meel, explicou que os engenheiros poderiam tecnicamente fazer o sistema elétrico comportar-se quase como uma caixa automática clássica ou uma «caixa robotizada». Mas por que razão retirar artificialmente ao motor elétrico uma das suas maiores vantagens? Em vez disso, a BMW M criará vários níveis com respostas diferentes do acelerador. Em pista, deverão dar ao condutor algo que muitas vezes falta nos elétricos muito rápidos: uma leitura intuitiva da carga, da velocidade e do comportamento do automóvel sem olhar constantemente para o velocímetro.
Com o som, a BMW M seguirá a mesma filosofia. O elétrico não tentará disfarçar-se de V8 nem de «seis cilindros em linha». A componente acústica deverá destacar o funcionamento real do grupo motopropulsor elétrico e fornecer informação adicional ao condutor, em vez de fingir que existe um motor de combustão. Mais emoção, sim; teatro a gasolina, não.
Os primeiros BMW M totalmente elétricos da nova geração são esperados a partir de 2027. A marca já confirmou quatro motores elétricos — um por roda — e o sistema central BMW M Dynamic Performance Control, processado pelo computador de alto desempenho Heart of Joy. Ao mesmo tempo, os motores de combustão ainda não desaparecem do universo M: a BMW continua a desenvolver seis cilindros em linha e V8 para cumprir os novos requisitos de emissões.
O resultado é um compromisso curioso. A BMW M manterá as patilhas, as relações e o som familiares, mas fará tudo funcionar segundo as regras da propulsão elétrica. Nada de perder força artificialmente para criar espetáculo — apenas novos pontos de referência para o condutor. E parece ser assim que Munique pretende preservar o carácter M quando a caixa de velocidades tradicional deixar de fazer falta.