O Fisker Ocean órfão finalmente está aprendendo a se dirigir sozinho

O Fisker Ocean órfão finalmente está aprendendo a se dirigir sozinho
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Dmitry Yakin
Autor: Dmitry Yakin

Um dispositivo externo de 999 dólares quer terminar o que a Fisker nunca entregou: condução sem mãos de verdade para o Ocean abandonado.

O Fisker Ocean pode finalmente receber a função prometida aos compradores enquanto a marca ainda existia — uma função que a própria marca nunca chegou a entregar. O crossover elétrico vinha de fábrica com todo o hardware necessário para a condução sem mãos, mas a Fisker faliu em 2024 sem nunca lançar o software. Agora uma empresa terceira, a Comma AI, assumiu o trabalho inacabado.

A situação parece quase simbólica para o Ocean. O carro já não é produzido há tempos, o fabricante desapareceu, os proprietários pagam os reparos do próprio bolso — e ainda assim, uma das grandes promessas pode se concretizar. Só que não graças à Fisker, e não de graça.

A Comma AI já está testando o suporte ao Ocean. Em um vídeo publicado, o crossover elétrico roda por uma rua da cidade sem nenhuma intervenção do motorista no volante. A demonstração ainda parece um protótipo inicial: há fios à vista, só a direção é suportada, e aceleração e frenagem automáticas ainda não existem. O software também está em uma branch separada e ainda não está disponível ao público.

Um detalhe importante: o sistema da Comma AI não usa em nada os sensores ADAS de fábrica do Fisker Ocean. Em vez disso, uma unidade separada, a Comma Four, é instalada no para-brisa com três câmeras, um mini-computador, um chip Qualcomm Snapdragon 845 MAX, acelerômetro, giroscópio, GPS de alta precisão e microfone. O dispositivo se conecta ao barramento CAN do carro e pode controlar a direção, a aceleração e a frenagem com base na imagem das câmeras. Na prática, um “cérebro” externo encaixado sobre a eletrônica de fábrica.

A Comma AI afirma que seu sistema pode levar a mais de 300 modelos o centramento automático de faixa, o piloto automático adaptativo, a assistência de troca de faixa e o monitoramento do motorista. Para o Fisker Ocean, isso importa em dobro: o carro já estava fisicamente pronto para funções avançadas de assistência à condução, só faltava o software. O dispositivo custa 999 dólares, enquanto o software é distribuído gratuitamente.

Para os donos do Ocean, é um trade-off amargo. Por um lado, surge finalmente a chance de ter uma função que o carro deveria ter desde o começo. Por outro, será preciso pagar de novo por um carro que já virou o exemplo clássico do risco de comprar um elétrico de uma startup instável. No total, a Fisker fabricou cerca de 11.200 Ocean na fábrica da Magna, na Áustria.

A maioria foi parar com clientes particulares, enquanto cerca de 3.200 unidades ficaram com a American Lease e hoje rodam como carros de aplicativo em Nova York. Essa história resume bem um novo problema do mercado automotivo. Um carro moderno pode ter câmeras, radares, cabeamento e poder de processamento de sobra — mas sem software funcionando, tudo isso vira potencial desperdiçado.

Antes, o dono temia ficar sem peças de reposição. Agora ele também pode perder funções pelas quais já pagou. Para o Fisker Ocean, a condução sem mãos de terceiros não será uma ressurreição completa, mas sim um remendo que chegou atrasado. Mas para os donos desses elétricos “órfãos”, até isso pode acabar valendo mais do que as grandes promessas que o fabricante nunca chegou a cumprir.

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