O comprador alemão hesita e o mercado de usados acorda

O comprador alemão hesita e o mercado de usados acorda
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Pavel Pavlov
Autor: Pavel Pavlov

Estudo Simon-Kucher 2025: 65% dos alemães ainda querem um carro novo, mas o orçamento encolhe e o usado volta a roubar a cena.

Os alemães não desistiram do carro novo. Apenas pegam a calculadora antes das chaves. Segundo um estudo da Simon-Kucher, 65% dos inquiridos na Alemanha planeiam comprar um veículo novo ou de demonstração — seis pontos percentuais abaixo do registado há um ano.

O orçamento médio previsto é de 44 000 euros. Ainda assim, 54% querem andar mais tempo com o carro atual e 48% esperam que o seu poder de compra recue. O veredicto da Simon-Kucher é seco: o comprador alemão continua disposto a assinar, mas convencê-lo torna-se mais difícil mês após mês.

O fator número um não mudou — é o preço. E o seu peso só cresce. Quase metade dos inquiridos pede propostas mais simples e transparentes, porque assim se comparam acabamentos e se vê mesmo por que se está a pagar. Há o reverso da medalha: 52% receiam que, com a simplificação das gamas, desapareçam em silêncio opções importantes.

Nesta paisagem, o usado rouba a cena sem fazer barulho. 35% dos compradores alemães já pensam olhar para um carro com quilometragem da próxima vez. E se os novos continuarem a encarecer ou os descontos se evaporarem, 61% estão prontos para saltar para um usado recente.

Nos elétricos, a fotografia está parada. O interesse é bem maior entre os mais jovens, mas os medos principais quase não se mexem: 59% queixam-se do carregamento lento, 55% do preço alto, 51% da autonomia e 47% não confiam na rede de carregamento. E isto apesar de os EV modernos irem visivelmente mais longe e carregarem bem mais depressa.

Capítulo à parte: as marcas chinesas. As suas forças são óbvias para os alemães — 62% apontam o preço, 42% a tecnologia. Mas em fiabilidade, qualidade de construção e segurança as dúvidas continuam. A conclusão é impiedosa: na Europa, uma etiqueta baixa já não é passe livre para as marcas chegadas da China. O comprador quer provas de que o serviço e a durabilidade estarão à altura dos nomes consagrados.

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