Espanha já tem o seu próprio «matador» chinês do Volkswagen Golf — e isto não é uma expressão. A Geely começou a aceitar encomendas do elétrico E2, um hatchback compacto do segmento B conhecido na China como Galaxy Xingyuan. Pode parecer modesto, até nos lembrarmos de um pormenor: em 2025, este modelo tornou-se o carro mais vendido de toda a China, sem distinção de tipo de motorização — 465.775 unidades num único ano. Não o elétrico mais vendido. O carro mais vendido, sem mais.
As encomendas já estão abertas, com um depósito de 500 euros — cerca de 571 dólares ou perto de 43.700 rublos ao câmbio atual. Aos compradores é prometido um desconto adicional de 500 euros sobre a oferta de lançamento, mas a Geely ainda mantém o preço final em segredo. O suspense termina em setembro: é quando os carros deverão chegar aos concessionários, com as primeiras entregas previstas para o final do mês.
O E2 assenta na plataforma GEA, a mesma arquitetura que a Geely usa também nos modelos maiores. Comprimento: 4.135 mm. Largura: 1.805 mm. Altura: 1.580 mm. No papel, mais um elétrico urbano qualquer. Na prática, uma bagageira quase grande demais para ser chamada de «urbana»: 375 litros atrás, mais 70 litros no frunk dianteiro. Cinco lugares reais e um ecrã tátil central de 14,6 polegadas com Geely Flyme Auto completam o pacote.
A versão europeia terá bateria LFP, com autonomia anunciada de cerca de 345 km WLTP. E é aqui que começa a verdadeira batalha — não contra a Tesla, mas contra o futuro Volkswagen ID. Polo, o BYD Dolphin Surf e o Leapmotor B03X. Este último já está anunciado na Europa a partir de cerca de 25.000 euros — uns 28.600 dólares ou 2,18 milhões de rublos —, enquanto o BYD Dolphin Surf em Espanha figura desde cerca de 23.750 euros, perto de 27.100 dólares ou 2,08 milhões de rublos. Será que a Geely encaixa nesta faixa, ou desce ainda mais? Se o fizer, o E2 torna-se um rival verdadeiramente perigoso, graças à bagageira, à bateria LFP e à reputação de sucesso de vendas chinês.
Li Lei, diretor-geral da Geely Auto España, declarou: «O novo Geely E2 reflete muito bem as ambições da Geely Auto em Espanha: tornar a tecnologia elétrica avançada acessível a mais condutores». Mas para a Geely, o que está em jogo vai além do lançamento de um único modelo. Já circulam rumores sobre uma possível montagem na fábrica da Ford em Almussafes — se o grupo chinês acabar por adquirir esse ativo, este elétrico ganharia literalmente um bilhete de identidade espanhol.
A verdadeira questão já não está nas especificações técnicas — essas já impressionam. Está em saber se a Geely vai atrever-se a jogar a carta do preço na Europa tão agressivamente como faz em casa.